13.2.09

Sexta-feira!!

Imagem:Jens Walter Ulrich

Hoje na estrada, vinha um Volkswagen Toureg V8 e um BMW X6 à frente de mim e dois Toyotas Land Cruiser V8 atrás, um dos quais do Estado. O que está errado nesta cena? O meu carro que não é desses? A terrível ostentação em terra de pobreza? A impunidade? Ou o Estado também a entrar na onda? Que algo está errado, está!

Enfim, passei por Quebra-Canela, a ser invadido aos poucos pelo asfalto e betão. O mar está lindo de morrer. O centro comercial de Quebra-Canela continua a crescer, literalmente dentro do mar e eu só quero ver o tráfego automóvel e a lixarada que vai gerar ao entrar em funcionamento. Já ameçaram avançar com mais mega-projecto para a zona, inclusive as terras estão todas compradas.

O Ministro do Ambiente faz-se de morto, até que a onda passe. Ou talvez saiba que a contestação de alguns blogs e ambietalistazinhos não tenha eco nenhum e prossegue, na filosofia da vaca. Enquanto isso o seu confrade da Cultura fala que se farta e produz as mais curiosas teorias, que lembram George Bush. Vai uma sapatada?!

Hoje é dia de happy-hours, de paródias, de nenhum cinema, de nenhum teatro, talvez alugue um novo filme pirata e fique em casa, resistindo a ir aos mesmos lugares, entornar cervejas e acordar no dia de amanhã arrependido. Mas se ficar em em casa, como vejo as pessoas desta cidade?

Adoro uma sexta!

12.2.09

Filmes da minha vida

Procurem este filme!..Façam o que tenham que fazer: peçam aos vossos familiares no estrangeiro que vos mande; vão a todos os video-clubes da vossa cidade; procurem uma cópia pirata na Internet; peçam aos amigos;...façam qualquer coisa, mas não deixem de ver este filme. Não vou dar nenhuma dica, por mais que esteja doido por fazê-lo, para não estragar o efeito surpresa. Merecido cada prémio que já ganhou. E vai a caminho do Óscar. Um dos maiores filmes que já vi nos últimos 2 anos.

Às vossas marcas, Excelências


Cheira a poder!

Existe coisa mais tonificante, vitamínico e motivador que poder? Caso contrário não seria fonte de várias estórias, mais sórdidas, menos sórdidas, mais intencionais, menos intencionais, mais patrióticas ou nem por isso. Talvez por currículo, tão somente, que faz bem à carreira e aos negócios. Os ideiais é que estão cada vez mais difíceis de encontrar nesta história de poder.

Os candidatos presidenciais posicionam-se. David Hopffer Almada dá o toque, com uma tirada chantagista ao partido: sou candidato se o partido me apoiar, mas aviso, não sou candidato de nenhum partido, sou de todos(!?). A isso eu chamo de posicionamento estratégico indefinido de motivações estranhas e objectivos inconfessos. Silvino da Luz achou piada à onda de se canditatar e não é que se candidatou mesmo! Pelo menos já sei que o homem consegue sorrir; ou será um implante cirúrgico? Carlos Veiga fica numa onda de: "gente, se insistirem muito eu me candidato, mas só porque insistem, tá?!". E finalmente uma candidatura com elevação, feita sem chorinhos e dúvidas existenciais, a de Aristides Lima, embora se conteste os seus apoiantes, apoiando-o explicitamente. É o meu favorito até então. E como gostaria de ver Jorge Carlos Fonseca disposto a correr! Ficaria com dois candidatos favoritos.

Estou de camarote para assistir a divina comédia humana desportiva de alta competição. Fair play, ok?!

11.2.09

Raiz do mal

Massimiliano Boschini

Ontem via nas notícias deputados que denunciavam a situação sócio-económica alarmante que vive S.Vicente. Grande novidade, pois! Diziam também que há mais de quatro anos que S.Vicente aguarda os grandes projectos turístico-imobiliários. S.Vicente tem uma taxa de desemprego na ordem dos 27%. A indústria (?) está esgotada. O comércio desmantelou-se.

S.Vicente, a terra do meu umbigo, mexe com o meu sistema. Quando saí de S.Vicente ainda havia sinais de que outrora foi uma ilha importante. Depois vim a saber pelos livros de história (que não se ensina na escola) que realmente S.Vicente teve um breve e esplenderoso período de prosperidade, à volta da navegação marinha transatlântica e da stockagem e comercialição do carvão. Mindelo foi a primeira cidade moderna de Cabo Verde. A vida social era interessante: só lembrar que o golfe, o ténis, o cricket, os grémios, os bailes, o cinema, o teatro, a música, a literatura, etc., faziam parte da vida social do Mindelo. Foi este S.Vicente que se projectou em todo o Cabo Verde como imagem de superioridade e que nos legou a espírito cosmopolita. Mas, entretanto, a pobreza sempre este ali. Entretanto os proveitos económicos da época alta nunca foram aplicados para diversificar a economia e acompanhar a evolução dos mercados e da tecnologia. O que foi uma asfixia lenta no tempo colonialista, foi uma morte e enterro no tempo da "economia centralizada".

Afinal em S.Vicente, apesar das chorudas receitas desse tempo, não houve desenvolvimento económico. Apesar do cosmopolitismo e da sofisticação de uma (pequena) sociedade, não houve desenvolvimento social. Hoje, temos uma ilha a chorar por uma novo milagre vindo de fora. Uma ilha, com história, com cabeças pensantes, num mundo de oportunidades, a chorar por socorro.

E para o resto do país, quando acabarmos de vender tudo e privatizar tudo, vamos viver do quê?

10.2.09

Filmes da minha vida

Já percebi porque este filme não foi nomeado para os Óscares: os americanos não gostam de ser confrontados com as suas histórias sórdidas. Ninguém gosta, diga-se de passagem. E porque também os Óscares não premiam literalmente a arte, infelizmente, este filme não passou. Ou talvez esteja a ser preconceituoso e precipitado, porque ainda não vi os nomeados todos. Mas, se os nomeados forem todos superiores a esta obra-prima, então estamos perante uma safra sem precedentes na história de Hollywood.

Argumento (história verídica) de tirar lágrimas a qualquer durão. Realização paciente de Clint Eastwood. Actuações convincente de Angelina Jolie, de arrasar de John Malkovitch e outros. Direcção de arte impecável. Fotografia a cair para o cinema noir. Enfim…uma obra!

Não concorreu aos Óscares mas ainda vai a tempo de Palmas, Globos, Ursos e tantos outros prémios.

Filmes da minha vida

Já percebi porque este filme não foi nomeado para os Óscares: os americanos não gostam de ser confrontados com as suas histórias sórdidas. Ninguém gosta, diga-se de passagem. E porque também os Óscares não premiam literalmente a arte, infelizmente, este filme não passou. Ou talvez esteja a ser preconceituoso e precipitado, porque ainda não vi os nomeados todos. Mas, se os nomeados forem todos superiores a esta obra-prima, então estamos perante uma safra sem precedentes na história de Hollywood.

Argumento (história verídica) de tirar lágrimas a qualquer durão. Realização paciente de Clint Eastwood. Actuações convincente de Angelina Jolie, de arrasar de John Malkovitch e outros. Produção impressionante: o filme se passa nos anos 20/30. Fotografia a cair para o cinema noir. Enfim…uma obra!

Ensaio sobre a cegueira

Este filme é muita areia para o camião de Fernando Meirelles. A mensagem subtil de Saramago, a cegueira humana, não enquanto deficiência física, mas enquanto deficiência moral, foi retratada num filme-espectáculo, facto que me pôs com reservas a gostar dele. Questão de gosto pessoal: esperava um script mais costurado e uma realização mais subtil. Mas...questão de gosto pessoal.

Ética da Decisão

Imagem: Multifafe Inc.

Cabo Verde assina e ratifica a Convenção da Biodiversidade, documento saído da super importante Cimeira da Terra, Rio de Janeiro, Brasil, 1992, versando o tema do Desenvolvimento Sustentável. É assim, finalmente países de todo o mundo concordam que o Desenvolvimento Económico tem que se ladear do Social e do Ambiental, senão a termo falhará. Isso é muito mais verdade em caso de países pobres.

Decorrente disso e como bons meninos do mundo que somos, criamos em 2003 a "Rede Nacional das Áreas Protegidas", depois de um aturado estudo realizado por uma equipa multidisciplinar (biólogos, geólogos, sociólogos, economistas, etc), com a cooperação essencialmente das Canárias. Ora, "Áreas Protegidas" vão desde de "Paisagem Protegida" até "Reserva Natural", dependente do seu grau de biodiversidade, ou riqueza cultural, e da sua necessidade de protecção. Ainda dentro das Reservas, existem as Integrais, Parciais e Temporais. Murdeira foi classificada como "Reserva Natural"; nem Integral, nem Parcial, nem Temporal; só Reserva e aqui começa uma pequena confusão de linguagem.

A lei da Protecção Ambiental de 2003 era forte e concisa. Sobrepunha-se a outros instrumentos, como as ZDTI (Zona de Desenvolvimento Turístico Integrado) e as ZRPT (Zona de Reserva e Protecção Turística), elaboradas pela Promex/Cabo Verde Investimentos, como quem diz Ministério da Economia. Ou seja, temos aqui uma clara "interferência" do Ambiente no negócios turísticos. Então, com o (demasiado) poder que a Constituição dá ao Governo, este em 2006 (decreto-lei 44/2006), ALTERA a lei de 2003, transferindo a competência de decisão de novo para o Ministério da Economia, em caso de sobreposição de Área Protegida e ZDTI/ZRPT. Engraçado não!

Esta famosa alteração da lei 3/2003, que terá causado o maior rebuliço pelos lados do Min.Ambiente, mas rebuliço esse inútil, já que desprovido de argumentos e luta apropriados, é um caso de se perguntar da ética de determinadas decisões. Sabendo que em termos de política ambiental somos ainda um desastre, a alteração desta lei soa a falta de consideração ao trabalho técnico de todos os especialistas e países envolvidos; soa a distorção do conceito de Desenvolvimento Sustentável; soa a desvio dos objectivos da Convenção da Biodiversidade. Sabendo que a actividade económica é n vezes mais garantida e promovida que a protecção ambiental e ao estudo sociológico, esta alteração soa a liberalismo primário.

Nos questionemos!

9.2.09

Blog joint: Sobre o Turismo


Turismo sim, claro!


Só queria que, para cada resort, hotel ou condomínio de luxo, se projectasse uma zona residencial decente para as populações locais; que os construtores cumprissem a lei e tivesse como alojar os milhares de trabalhadores das obras; que se construíssem também hotéis e residenciais económicos, para os turistas que não tem muito dinheiro, como nós de cá.

Só queria poder continuar a viajar para qualquer ilha, falar em minha língua, pagar com a minha moeda, ser recebido em qualquer estabelecimento, poder lá estar, poder pagá-lo e sentir-me em casa.

Só queria que indústrias locais fossem estimuladas a nascer e desenvolver, ou a organizarem-se os que já existem. Queria poder dizer que ao menos os ovos, os frescos, o peixe e os mariscos são de produção local. Queria poder dizer que a maioria dos profissionais qualificados a prestar serviço nessas unidades, sejam eles arquitectos, engenheiros, decoradores, economistas, contabilistas, etc., fossem na sua maioria nacionais.

Só queria que, para cada voo charter carregado de velhas que vem comprar sexo, um outro voo partisse para assistir um grande momento cultural, do género carnaval, um festival de música ou teatro, ou assistir uma manifestação de tabanka.

Só queria que, em vez de jovens prostitutas e drogados, aparecessem jovens com vontade investir, tivessem corredores para o fazer e mercado para actuar, ajudados por um programa qualquer de empreendedorismo.

Só queria um Turismo respeitoso do ambiente natural e cultural, que soubesse combinar a necessidade económica, com a transparência absoluta das oportunidades de negócio, que se fizessem constantemente estudos sociológicos e ambientais, a fim de irmos, aos poucos, determinando exactamente o tipo de turismo que nos serve, em quantidade e qualidade.

Por enquanto não posso pensar em tirar umas férias na ilha do Sal; envergonho-me do que acontece na Boavista; desiludo-me dos jogos escuros de interesses; sofro com a delapidação da natureza e com a Cultura a ser tratada de "Entretenimento Cultural".

Sigam este tema em


Manifesto Bianda

Taken from Beast magazine

Tenho um blog porque, como já disse um filósofo, só sabemos o que podemos descrever; o acto da linguagem, seja ela escrita, imagética, sonora, ou de outro tipo qualquer é uma tentativa de compreensão da vida, enquanto ser, estar, fazer. Faço este exercício essencilamente para aprender. O meu blog não é: nem um confessionário; nem um purgatório; nem um cagatório; nem uma tese; nem uma teoria; nem sequer é verdade. É um exercício do eu e permite um exercício dos outros, pela sua interactividade. Mas, é nesta parte da interactividade que surgem os problemas. Porque as pessoas, os meus visitantes, ainda não entenderam que as regras da convivência social também se aplicam à Internet, sob pena de desvirtuarmos a comunicação. É nesta ordem de ideia que resolvi tornar mais apertado a moderação dos comentários neste blog.

Os comentários na verdade põe-nos numa posição de questionamento: ninguém pode ter a certeza de que digo a verdade quando digo que publico todos os comentários. Não há como verificar. Esta decisão é estritamente pessoal e é a razão maior de um blog só ter um valor individualista. O único decisor e juiz nesta causa sou eu. E decidi, para tranquilidade da minha consciência: comentários da treta não passam mais. Incluidos nesta categoria: insultos e considerações pessoais. E há já casos (Al Binda) que já vão directamente ao lixo, sem que sequer tome conhecimento. E com que critérios? Só eu posso decidir.

6.2.09

Silêncios escuros

Porquê nos calamos? Que fantasma é esse que nos faz temer dizer as coisas abertas aos quatro ventos. Do que descobri de Murdeira é só silêncio. É só coisas ditas de forma incompleta, como se intenções malignas estivessem a guiar as nossas condutas. Porquê este clima de insinuações? Porquê vem um jornalista, um profissional da informação, neste espaço pedir o anonimato. Quem nos persegue? Eles ou nós próprios? Quem é por nós e quem é contra?

No caso da Murdeira o silêncio do Ministro do Ambiente é particularmente desconfortante. Ele está a ser interpelado e não fala. Ou está à espera de ser convidado formalmente a depor?! Não, Sr.Ministro, os blogues são vozes que interpelam. Peço que venha a público e nos tranquilize. O seu silêncio é até uma muito má estratégia para o seu marketing político, porque permite a formação de ninhos para especulações. Por que te callas Excelência?

5.2.09

Moderação

Sobre o caso da Murdeira, porque fui investido a falar disso, quanto mais consulto sensibilidades diferentes e profissionais diferentes, fico mais com a sensação que o que nos falta é muita informação. Falta-nos problematizar as coisas. Falta-nos problematizar a intervenção no Ambiente, mas falta-nos também problematizar a viabilidade da protecção do Ambiente, que se debate com a mesma ordem de dificuldades que se debate a Cultura: financiamento. Ou seja, protecção do ambiente é caro, somos pobres, precisamos captar recursos, mas essa captação tem que permitir a transformação do Ambiente sem a aniquilar, pois claro.

Ainda falta muito para se ter uma visão clara da problemática. Por isso o Biandicator aqui ao lado mudou de crítico para moderado.

Filmes da minha vida

Poderia dizer "actores da minha vida", mas tão a ver a dificuldade que um macho crioulo tem a dizer essas coisas, não é? Pois, machos crioulos são tão macho que iriam suportar mal ver um homem, Ben Kingsley, 65 anos, a beijar outro homem, Dennis Hopper, 72 anos, na...boca!

Este é um dos filmes que nos deixam dias a pensar. Um belíssimo drama de amor entre um professor (Ben) mais velho 30 anos que a sua aluna (Penelope Cruz). Mas é também uma história de amor fraterno entre dois grandes amigos (Ben e Dennis). Definitivamente já não se escrevem história de amor com happy-ends e vidas perfeitas. Uma história real, com linguagem real, de vidas imperfeitas, pessoas imperfeitas, como nós.

Mas essencialmente este filme é a prova que o cinema ainda, como o teatro, é uma arte humana, que depende essencialmente da performance dos actores. Os actores preenchem cada milímetro deste filme, muito especialmente Ben Kingsley. Estou completamente rendido ao seu talento. Por coincidência nos últimos dias vi 3 filmes dele e 3 registos de actor completamente diferentes e todos incríveis. Um mafioso falhado em "You kill me"; um terrível traficante em "Trasnsiberian"; e este potente "Elegy". Ele é capaz de fazer de Moisés em "Moisés", Ghandi em "Ghandi", um pacato pakistanês em "Uma casa na penunbra", um judeu perseguido em "Lista de Schindler", ou seja o que for.

E a eterna questão do cinema em CV. Enquanto isso valem-nos os ilegalíssimos video-clubes.

4.2.09

Blog joint: Welcome

Ao Tide, do blog http://pedrabika.blogspot.com que se juntou à iniciativa. Para que saibam, ele foi um dos primeiros a fazer uma proposta do género blog joint. Na altura estávamos todos greens nessa de blogs.

Notas políticas

Imagem: Franco Rancoroni

MPD se põe em pole position. Meta: liderança do partido, ou seja, poder em 2001.

Jorge Santos é o grande contestado e com razão. O homem tem uma história e uma actuação política que não deve servir de exemplo aos iniciantes, embora muitas das figuras proeminentes do actual MPD igualmente tenham passado por um momento de vacilo. Mas o que importa é que não consigo ver um líder em Jorge Santos e pelos vistos muitos dos seus correligionários também não.

Fernando Elísio Freire, que muitos estão a indicar como indicado, já negou ter tal ambição. Pois, é preciso medir a ambição, tendo consciência de si. Além do mais, quero acreditar que o MPD tem outras alternativas de mais peso.

José Luís Livramento se posicionou e acho que é um bom candidato, mas não abona a si o facto de ter voltado as costas ao partido em dado momento, de se ter frontalizado a Carlos Veiga na altura, de maneira não muito elegante e de agora voltar à casa de partido, todo sorrisos e a passar uma mãozinha nas costas do mesmo Carlos Veiga, atitude esta que já é um padrão ventoínha.

Ulisses Correia e Silva é apontado por muitos como a melhor opção de momento. Subscrevo. Mas aqui há uma jogo de dilemas: ganhou as autárquicas no maior burgo do país, a vantagem não era estrondosa e as nacionais são um jogo diferente: ele não goza de tanta popularidade assim, não consegue ser um tipo simpático e se renunciasse à CMP poderia voltar contra si uma parte dos apoios que teve.

Entretanto os pesos pesado do partido, Jorge Carlos Fonseca, Carlos Veiga, José Filomeno, Olavo Correia, José Tomás Veiga e outros cabeçudos, continuam na penumbra a ver onde o sol vai nascer.

Humberto Cardoso é um outsider jogando por dentro. O homem mexe-se de forma esquiva, mas vai se adivinhando a direção que quer tomar. A cartada da Constituição não será inocente. Tem despontado a cabecinha e já levou um cascudo, a ver se alinha. De qualquer modo, espero que ele não tenha a mais modesta ideia de que pode liderar o partido. Ele é um antítese de líder.

Regra geral o MPD é um partido em crise de identidade. A sua instabilidade não inspira alternativa em 2011, pelos menos por agora. Do outro lado tem um PAICV, demasiadamente radicalizada na figura de JMN, com alguns safanões internos, mas que goza de uma grande mobilização em torno do partido, que muitos interpretam como fanatismo. Eu 2011, já adivinho, terei no menu: de um lado, um partido vacilante e remendado, mas absolutamente essencial à alternância política; do outro lado, um partido que, a ganhar um 3º mandato prenuncia tempos políticos perigosamente monocromáticos.

A Política é a massa e o pavio do mundo.