24.3.09

Telex 2

"Este ano o verão chegou com 2 meses de antecedência na cidade da Praia"
RCV, Jornal das 13h

É mesmo?! Nem dei por isso. Vou ter que desligar o aquecimento lá em casa e guardar a roupa de inverno...e mandar corrigir os guias turísticos que dizem que CV é um país quente o ano todo. E uma nota importante às queridas: tenham atenção que as câmeras de televisão andam por aí a fuçar; é que em termos de linha e formosura, os boys estão a ganhar.

"A confraria do grogue, CONGROGUE, de S.Antão, quer levar a que todos os confrades fabriquem grogue exclusivamente do suco de cana"
Idem

Era só ver os confrades vestidos a rigor com os seus longos fatos (verão só chegou na Praia por enquanto), os seus longos chapéu, a debitar discursos a lembrar livros de história sobre a época medieval europeia. Só que nenhum confrade jurou de pés juntos que seguirá a norma. Não há cana que aguente.

Telex

Há dias muito ocupados também.

A gasolina está a 96 paus o litro e o gasóleo a 76!...Que ganda descida! Que virá depois? Que estão a preparar? Quando a esmola é muita o pobre fica desconfiado.

Faltam 2 meses agora para o Min.Cultura apresentar o seu "Plano Estratégico da Cultura". Começo a ficar ansioso. Entretanto esta semana é rica: hoje, Kaká e Djamila no CCP com "Du e Tu", às 21h, um peça muito recomentável. Na sexta vamos ter teatro, com Sarron.com, no CCP, às 21h. E João Paulo Brito dará uma palestra sobre o teatro na quinta, não tenho o horário, mas assim que tiver passo.

Fiquem bem queridas e queridos

23.3.09

Filmes da minha vida

Há dias fantásticos. Aluguei este filme, por uma única razão: porque dizia a sinopse que tinha a ver com gastronomia, que sou fã absoluto. E pronto, preparei-me para ver um filminho que falava de pratos, vinhos e queijos. Acabei vendo uma obra de arte, em que a gastronomia é só o fio condutor. O enredo é fabuloso, a cair para o humor negro. A música é divina. O elenco está impecável. Mas sobretudo, é uma bela obra de literatura, cá para mim o início de sucesso de qualquer filme ou peça de teatro.









Este outro filme, ainda melhor, mais complexo em termos de realização, está na mesma linha do enredo inesperado. Ambos são terrivelmente sociais, como está na moda no cinema brasileiro, mas cada um com uma narrativa diferente, rica, intensa e salpicada de humor negro.


E como está de saúde e vigor o cinema brasileiro! Às vezes um pouco a exagerar na exploração da Estética da Miséria, mas o facto é que a fórmula resulta, tanto melhor quanto mais inventivo é o argumentista.

Blogjoint: Espaços públicos associados a espaços mentais

Serão os espaços públicos uma questão de ter dinheiro para os gerir, ou tão somente uma questão de incompetência pura? Será o dinheiro necessário à requalificação de alguns espaços, um gasto ou um investimento? Será que não falta é espaço mental?

Não poderia o Auditório Nacional ser gerido pelo colectivo de dança "Raiz di Polon"? Que falta para que o Palácio da Cultura "Ildo Lobo" seja convenientemente dinamizado? Mercado? O que faz o Centro Cultural do Mindelo funcionar? Mercado? Terão os Centro Culturais estrangeiros mais dinheiro ou só são um pouco mais competentes? 2% do Orçamento do Estado é realmente insuficiente para organizar isso? Não seria bem mais inteligente devolver o Centro Nacional de Artesanato (agora Museu de Arte Tradicional) ao colectivo de artistas que o geria anteriormente?

Será necessário construir novos dispendiosos espaços para a Cultura e o lazer ou requalificações inteligentes serão suficientes? Um desses armazéns da antiga zona das Alfândegas da Praia não daria uma excelente galeria de arte?

Não chegou o tempo de se perceber o significado de parceria público-privado? Quando vão as instituições públicas aprender a trabalhar com a sociedade viva? O debate deve se centrar nos espaços públicos, insuficientes, ou nas cabecinhas dirigentes, insuficientes?

Siga este debate com os jointers:

20.3.09

De Capital Desimportância

Se foi importante a visita de Sócrates? Foi! Definitivamente. Tendo em conta a importância das relações entre os dois países, em todos os planos, este Alto Patrocínio dos dois Governos a estas relações é vivamente desejada. Foi impressionante ver a operação montada pela parte portuguesa e a agenda altamente organizada, com pontos específicos de interesse, com acordos específicos, com projectos específicos. Contudo, fico algo desapontado quando a única referência à maior questão social entre os dois países, a Emigração/Imigração, é um anúncio de um "Sistema de Informação Conjunto de Gestão de Fronteiras". Caramba, pá! Milhares de pessoas, também chamado de Capital Humano, valem muito mais do que isso.

Nós que, ao que parece, até somos bons diplomatas, que até conseguimos condições e tratamento especial por parte de todos, temos que ter coragem e agendar assuntos, sem dúvida, desagradáveis.

18.3.09

Mundu novu (ou Mundo Novo?) II

O famigerado programa de distruibuição de 150.000 computadores, que só terá sentido se pensarmos em conectividade ubíqua, ou seja acesso à Internet 24/24, representa um negócio de 3 bilhões de escudos/ano, se todos se ligarem a um custo, vá lá, de 2.000$/mês. Nham, nham!

Mundu novu (ou Mundo Novo?)

Sócrates traz para CV Mundu Novu (ou Mundo Novo, já não sei!). Traz 200 milhões de EUR/22 bilhões de CVE, para as infraestruturas, em forma de linhas de crédito, ou seja, dinheiro emprestado que tem que ser reembolsado com juros. Traz mais outros 100 milhões de EUR/11 bilhões de CVE para as enegias renováveis. Ora, isso é MUITO dinheiro!

Cabo Verde importa anulamente de PT cerca de 550 milhões de EUR/60 bilhões de CVE; em contrapartida, exporta para PT 14 milhões de EUR/1 bilhão de CVE.

Cabo Verde, no conjunto da CPLP, é o 2º mercado para PT, só ultrapassado pela Angola. A nossa economia é toda ela "detida" por PT: Banca, Energia, Construção Civil, Telecomunicações, entre os mais importantes.

Posto isso, é claro que um estímulo à economia CV (crédito) representa directamente um estímulo à economia PT, a multiplicar por n. E o que podemos fazer? Para já corrigir o ambiente regulatório, permitindo uma maior transparência dos projectos. Depois pensar que projectos. Elefantes brancos, como a circular da Praia? Gualberto do Rosário, defende que é o momento de redireccionar os investimentos para obras sociais: habitação, saneamento, etc: porquanto está a procura internacional em retracção.

E no meio disso, a Oposição? Qual é a sua proposta ensombrada?

17.3.09

E-non-readiness

Não é novidade que as privatizações em CV foram uma perigosa burrada. Electra deu no que deu, ou seja, não deu em nada; CVTelecom é o que é, uma placa de chumbo em cima da nossa economia; os Bancos estão melhorzinhos, precisamente porque a regulação já existia quando se privatizou e mesmo assim!...(SLN)

A CVTelecom, é um caso bicudo. Por um lado rende milhões para os seus sócios e para os cofres do Estado, em dividendos e impostos; por outro lado bloqueia completamente o desenvolvimento da chamada economia digital. O problema começa com a privatização que alienou num único pacote as infraestruturas (rede) e os serviços (telefonia, dados). As infraestruturas não podiam ser privatizadas de ânimo leve e hoje é o que é. Hoje somos um país, em plena era de Internet, sem conseguir levar a economia para a Internet. História em 3 palavras: a Internet começou por ser um rede de conteúdos, depois passou a ser uma rede de serviços e hoje é uma rede de colaboração. Nós mal temos conteúdos na Internet, ou o que temos é desfasada. Salvo a Banca e o Estado, mal temos serviços. Colaboração é utopia. Até a concorrência (T+) sofre com isso porque precisa assentar na infraestrutura pública, detida pela CVTelecom, ou seja nem concorrência temos no sector. E uma informação para o comum dos mortais: os custos de comunicações para empresas nem são somente os de acesso directo à Internet; são também os custos de comunicação de dados. Nem leve esforço mental, imaginem uma empresa com unidades em 3 ilhas, com necessidade de as interligar e de as ter na Internet.

Perguntem ao especialistas porque estamos a descer no ranking do e-readiness, indicador que avalia o estado de preparação dos países para a economia digital. Vá lá, o preço por kilobyte em Cabo Verde deve ser um dos mais elevados do mundo. Culpado?

16.3.09

Que ando a ler

Este livro, achado na Feira do Livro, veio mesmo a calhar, a propósito de feiras de conhecimento e de mundo novo e de propaganda política enganosa (como se já não fosse por natureza).

Um livro essencial para quem se interessa pela que já é considerada a 3ª revolução da humanidade (depois da revolução agrícola e da revolução industrial), a revolução da informação, que é o mesmo que dizer, o triunfo da cultura. Um livro que exemplifica esta revolução com o aparecimento de esplenderosas novos produtos, organizações e redes sociais, tipo Linux, Wikipedia, MySpace, Blogger, etc. Um livro que dá pistas até para a presente crise, que não é só financeira, que é essencialmente de adaptação e agilidade das antigas corporações, como a General Motors, por exemplo, que apesar de ser um potência industrial mundial, é rígida em sua organização interna, não teria sido eles a inventar o trabalhador burro. A nova economia baseia-se no oposto, em trabalhadores e consumidores inteleligentes.

O livro também aborda questões sociais, como o poder, autoridade e legitimidade de intituições como o jornalismo, por exemplo, que estão a ser abaladas pela blogosfera, não que esta as vá substituir, mas porque as obriga a justificar o seu poder, hoje mais do que nunca. Hoje, se o público está insatisfeito auto-organiza-se (passo a redundância) em comunidades colaborativas (wikis) para colmatar a sua insatisfação. O mesmo se passa com a distribuição de filmes, discos e livros: a wikipedia está a levar várias editoras à falência.

A conceito da economia digital pressupõe muito mais que a questão dos terminais, porque estes são voláteis; pressupõe CONECTIVIDADE PERMANENTE UNIVERSAL E ABUNDANTE. A seguir vem os conteúdos e os serviços para a Internet; a seguir vem as novas organizações globalmente colaborativas, os novos superstars da nova economia, a wikinomia.

13.3.09

"Sócrates traz ’Mundo Novo’"
In A Semana, 13/3/2009

Ai que é desta vez que morro de desgosto! Então andamos a trabalhar há anos (NOSI) e é Sócrates é que traz um mundo novo???! Ai políticos que não nos respeitam. Ai Comunicação Social acrítica.

Feira do Conhecimento II

A propósito, sou absolutamente contra esta onda de abrir balcões da Casa do Cidadão nas escolas e demais instituições públicas. Acabemos com essa mania do Estado que nos faz um favor. Reparem: é preciso ir a um balcão, falar com um(a) fulano(a) e, dependendo do humor do(a) dito(a) cujo(a), é possível ser-se bem atendido ou pessimamente, e, mais grave, passa uma ideia que a Casa do Cidadão/Portal do Cidadão só serve para tirar certidões.

A minha sugestão/alternativa: dinamizar quiosques digitais em todas as instituições públicas e promover o self-service. Vantagens: 1)eliminamos uma interface (que envolve humor, incompetência, salário, etc) ; 2) aumentamos exponencialmente o nº de utilizadores registados no www.portondinosilha.cv; 3)promovemos a descoberta das várias outras secções deste imenso projecto, que por enquanto, em termos de serviços, só tem as certidões.

Aliás, é a segunda opção nem é minha, é a que está na estratégia definida pelo PESI/PAGE, mas esses políticos....

AI QUE NÃO POSSO COM PROPAGANDA POLÍTICA, ARR!!

Feira do Conhecimento

Larguem a estória do Turismo; o Conhecimento é que está a dar.

Esta frase é verdade para muitos países e cidades. Sou/fui do team NOSI e vivi as alegrias de ver esta organização a estabelecer um debate em torno das novas tecnologias e vivi/vivo as angústias de ver o quanto ainda temos que andar e quantas montanhas temos ainda que derrubar, até que possamos dizer de facto que temos uma Sociedade do Conhecimento. Não me venham com essas tretas de Magalhães e de Mundu Novu e mais outras tretas pegadas. Isso é propaganda política. Quando podimos ao poder político, como andamos a pedir anos a fio, que intervenham em peças estruturais, afim de facilitar este conceito, a porca torce o rabo:

1. Investimento humano. Não há sociedade de conhecimento sem um forte investimento em recursos humanos e temos que saber que isto irá custar muito dinheiro. Talvez por alguns anos temos que deixar de ter orçamento para placas desportivas, para poder contractar ainda muitos mais especialistas para o NOSI, que trabalha à base de doação de sangue.

2. Transformação da Adm.Pública. Ora, todos sabemos, a tecnologia é vazia, se não se seguir a uma efectiva transformação dos processos. A nossa Adm. Pública continua um monstro e isso é uma responsabilidade política.

3. Comunicações. Com a burrada da privatização da Telecom, ficamos atados. Os preços de Comunicações são absurdos. Não há nenhuma sociedade de conhecimento que possa sobreviver neste ambiente e estou para ver que tipo de arranjo se vai fazer para, ao mesmo tempo, distruibuir computadores a torto e a direito e permitir a inclusão desses terminais na Internet. Aproveitem a visita do chefe do Gov.pt e façam todos os lobbies, mas tenham só cuidado em não prejudicar a concorrência. Hoje sou da T+ (operadora de telecomunicações) por isso a minha preocupação.

12.3.09

Moranguinhos

O que tem em comum os nossos Premiers, o das terras de Camões e o daqui, das terras de…o que se diz no nosso caso? Terras de Amilcar Cabral? Epá, o pessoal do MPD não concorda nadinha com isso. Mas então como se diz? Ai, ai, ai, a História!

Os nossos Premiers se parecem em muito.São ambos moranguinhos, que elegem o charme como um vector de marketing político. Ambos chegaram ao poder em contextos de grande descontentamento popular, arrancando assim cifras impressionantes de votos. Ambos sabem como é importante escolher cuidadosamente a gravata. Ambos estão a levar rudes golpes na sua popularidade, mas o encanto dos seus sorrisos ainda faz suspirar corações. Ambos têm oposições violentas, que ainda não perceberam que oposição aos moranguinhos só se faz com outros moranguinhos. Ambos se dizem socialistas, mas falam mais em negócios do que qualquer outra coisa. Ambos estão mergulhados até ao pescoço no escândalo da BPN/SLN/BI e ambos têm outros escandalozinhos domésticos cabeludos. Mas o que é definitivamente de alma gémea entre os dois é o enigmático sorriso, parecendo que, pode o mundo acabar a fogo, que morreriam carbonizados, mas permaneceriam sorrindo.

Por esses dias por cá vamos ter overdose de sorrisos de moranguinhos, para delírio dos fãs.

11.3.09

Asneiras comprovadas

Por falar em turismo, urbanismo, ambiente e tal, as asneiras que estamos a fazer agora, os outros já fizeram no passado. Em vez de aprendermos com a história, copiamos os seus erros. Sounds like stupidity. Checkem este bastante elucidativo artigo, a propósito de Canárias, um país que pretendemos imitar

O português que nos pariu

Antes que as mentes perversas possam construir as suas perversidades, o título é de um livro de Angela Dutra de Menezes, jornalista brasileira, sobre os seus antepassados portugueses.

Chega hoje um avião abarrotado de governantes e empresários portugueses, chefiados por Sócrates, este gajo que tem nome de um dos fundadores da filosofia moderna ocidental, trazendo na bagagem carradas de computadores que tem o nome de um dos fundadadores dos descobrimentos portugueses, Magalhães. Simbologia terrível! Esta nova invasão tem os mesmos objectivos que teve o de quinhentos anos atrás: estabelecer feitorias, cuidar das que já existem, só que hoje isso é chamado de "cooperação bilateral". Pois, também uma feitoria, em teoria, era uma cooperação bilateral. Bom, no nosso caso é um pouco diferente, porque dantes éramos todos inabitados, de maneira que o português foi literalmente, o português que nos pariu. Em rigor histórico foi mais, o português que nos fornicou.