31.3.09

Secura

Hoje em dia, comer uma boa banana nacional é I-M-P-O-S-S-Í-V-E-L!

As bananas nacionais estão esmirradinhas e sem graça. E ainda estão pelos olhos da cara. Pudera, a a bananeira de S.Cruz está morta. Culpa? Da invasão da água do mar e das pragas. Ou dito de uma forma mais concreta: do desastre ambiental que é a apanha de areia e do abandono do Estado da propriedade de S.Cruz. Sim, Senhor Ministro Ambiente, a degradação do Ambiente põe em causa o desenvolvimento sustentável, muito mais depressa que se imagina. Deixe-se de teimosias com a estória da Murdeira e vai cuidar das bananas!

Mais importação...que já tinha deixado de ser necessário, para o caso das bananas....

Frescura

Por falar em artistas, adorei este disco. Principalmente porque Carmen Souza, que conheci agora, não faz o caminho forçado que Lura fez, para se tornar uma "crioula autêntica". Ela [Carmen] só debita o seu talento, num disco fusion, de funky, jazz, ritmos africanos diversos, batuque e...electrónica. Pois, este disco não é um disco de "música caboverdiana"; é um disco de uma caboverdiana, com BUÉ de power. E no entanto um disco muito caboverdiano. Fiz-me entender?

KriolJazz. Praia, 3,4 e 5 Abril

Já estou em pulgas para o evento, como os meninos à espera de abrir as prendas no Natal. Nem acredito ainda nos nomes que se conseguiu juntar: Lenine, Mario Canonge, Ba Cissoko, Jorge Reyes...para além da prata da casa, é claro, principalmente para ouvir o Tcheka, porque hoje em dia há artistas CV que dificilmente actuam na sua própria terra! Há artistas que já só vem a CV arranjar mais um ou outro tema, se calhar pagando a um pobre coitado alguns cobres simbólicos, para depois, toca a voltar para a Europa, lá onde as coisas acontecem, fazer mais um disquinho exótico e vender. Quem disse Economia da Cultura?...pois, os outros sabem tirar proveito disso; nós sabemos é pavonear.

Não percam os workshops na UnivCV com esses artistas. É para o comum dos mortais, por isso não custa nada aumentar os horizontes: dia 1, 18:30; dia 4, 15:30; dia 5,15:30.

30.3.09

Rementalizar

"É defeito de estarmos distorcidos um pouco da realidade exacta das coisas que movem este mundo, melhor este mundinho que a Internet capitaliza num ápice de tempo. Estamos muito longe do centros de todo, temos de inventar uma pujança capaz de nos rebocar um pouco no mundo. Se passa o Sol e nem damos conta que anoiteceu."
Rony Moreira, a propósito do post anterior "Altermodernos"

Esta pujança é a educação. Não consigo imaginar uma outra forma de o conseguir. Enquanto estivermos desfasados nos conteúdos da educação, continuaremos desfasados do pensamento da actualidade. É para isso que serve a educação, do pré-primário até o pré-universitário: formar pensamento actual, actuante, constructivo, dinâmico, antecipador e adaptável. O ensino universitário é especial, especializado, concreto, profissionalizante; não é sua vocação formar Cultura. No pré-primário, ou seja no jardim, as coisas estão mais avançadas, um bocado pela dinâmica das escolas privadas; mas ao entrar no primário, a curva da qualidade é descendente; os alunos à saída do liceu, estão mais confundidos do que outra coisa. Esses alunos, depois da universidade, podem até saber as ferramentas para uma determinada área, mas para fazer o quê?

Revolução cultural precisa-se. Abaixo a velha troika!

Altermodernos

"Modernos ou pós-modernos, quem somos? Nem uns nem outros, antes seres de uma nova era em que se age e cria a partir de uma visão positiva de caos e complexidade. A altermodernidade, segundo Nicolas Bourriaud"

Isto de se estar atrasado em relação aos grandes debates estéticos mundiais é lixado. Quando nós aqui tentamos estabelecer um discurso sobre a arte contemporânea, pois que não podemos dizer que em CV haja uma arte pós-modernista, já apareceu um tipo a propor se ultrapassar o conceito de pós-modernidade, para se falar em altermodernidade. Faz sentido. O mundo já não é mais pós, é pró: vivemos num tempo, em que a Internet vai baralhar todas as noções até agora criadas de sociedades humanas. Por isso não é pós-alguma-coisa; é pró-esta-coisa-nova. Nós aqui CV, estamos perigosamente desfasados da história. Um número apenas, para reflexão: só 13% da população alguma vez usou a Internet em CV. Isso num mundo em que: economia que não está na Internet, não é competitiva; conteúdo que não está na Internet não é consumida; sociedade que não está na Internet não é conhecida. Como pode o próprio ambiente da criação estética estar actual?

Revolução Cultural precisa-se. E neste andar terá de ser com sangue: cabeças a rolar.

Fonte: aqui no Ípsilon


Palmas

Palmas para Sarron.com com a sua peça "10 segundos" no CCP Praia, dia 27. Foi um prazer!

Neu Lopes está triplamente de parabéns: pelo texto, pela interpretação e pelo som.

Karina Lizardo, a contracenante (a interpretar 5 personagens!) deu um apontamento valioso ao resultado final.

Os técnicos de luz e de som estiveram bem. Só a cenografia sofreu drasticamente.

Ao todo, o grupo se propos a um desafio enorme, diria até atrevido e trabalharam MUITO para o realizar. Ficaram umas tantas coisas pelo caminho, o que quer dizer que o espectáculo tem muito que crescer ainda, mas o resultado final é este: paixão, entrega, sacrifício, trabalho. Há muitas críticas a fazer, que espero ter a oportunidade de fazer directamente ao grupo. Aqui, publicamente, vai valentes palmas. Longa vida ao vosso grupo!

27.3.09

Cinemix

Ontem, discoteca Cockpit. Foi cool! foi um show de som e imagem. Grande cultura pop tem este DJ. Passou por imensos filmes, animações, videoclips, imagens de concertos, passou por vários temas musicais, do rock, do soul, do rap, da electrónica...oof! Foi mesmo uma grande remixagem.

Em arte nada se perde, tudo se transforma. Não existe arte intocável; é permitido todas as recombinações. Sem essas ousadias a cultura seria uma grande seca. Mas atenção, MUITO trabalho é necessário. Também é verdade que não existe arte sem suor. Trabalhem!

A matança começou

Afinal, lá o sector do PAICV em S.Vicente apresentou as tais provas de corrupção na CMSV. Boa. Estragou um pouco o efeito surpresa e deu tempo para o carnaval da Isaura, mas muito bem. O que me dói mesmo é que isto tudo ficará em águas de bacalhau, como dizem os lusos. Como também vai ficando em águas de bacalhau, todas as queixas apresentadas nas Procuradorias. Como já alguém disse, Estado de Direito, onde o Direito é um elemento fraco, é automaticamente um Estado fraco e sendo um Estado fraco é repasto abundante para toda essa rapinada política. Escândalo de Enacol, arquivado; escândalo de Electra, arquivado; escândalo de TACV, arquivado; escândalo de SLN, arquivado...país arquivado. Não existimos verdadeiramente, estamos arquivados.

26.3.09

Mayday, mayday!

O PCA dos TACV disse: caros trabalhadores e amigos, tenho pensado demais em vocês, porque me preocupo muito com a vossa saúde. A situação é terrível. Terão todos que emagrecer muito, porque este barco, ou melhor dizendo, este avião, vai afundar com tanto peso, ou melhor dizendo, vai despenhar-se. Amigos, vocês andam a comer demais. A gula é pecado mortal e vai nos matar a todos. Amigos, os subsídios e as regalias são como os doces; são para comer com moderação. A partir de agora, não há mais doce para ninguém. É tempo de água e pão. Ninguém vai para casa, mas os que ficam, precisam emagrecer. O tempo é de abstinência e sacrifícios. Ainda tentarei mais umas massas da parte do governo, mas nada está garantido. Preparem-se, apertem os cintos porque vem aí uma turbulência severa. Só espero que ainda aguentemos no ar. Eu tenho as minhas almofadas nas costas e na barriga. Cada qual tem as suas?

Há figuras fantásticas

Há pessoas que nos marcaram e continuam a marcar. É o caso de Djick, o professor de filosofia; o meu professor de filosofia. Com ele comecei a ver que o acto de pensar se faz de duas maneiras: seguindo a corrente geral, o senso comum e o que nos ensinam; ou exercendo a crítica a cada passo que damos. Mas Djick é uma figura que nos marca sobretudo pela forma como encara e vive a vida. Por circunstâncias felizes, acabei por ficar mais próximo dele. Fiquei a conhecê-lo mais. Fiquei a saber que foi e é um atleta dedicado; vive com a calma de uma brisa do mar, o mar que é a sua imensa paixão, junto com a música, que também lecciona, e a filosofia, claro.

Aconteceu hoje. Eu trabalho numa zona da cidade que o pessoal já chama de "Wall Street", porque caboverdiano gosta de dar nomes sarcásticos às coisas e porque concentra realmente um número considerável de serviços de ponta: bolsa de valores, bancos, operadoras de telecomunicações. Trabalho em telecomunicações, desenvolvendo soluções, o que é um desafio e tanto. Trabalho das 8 até quando der para ir para casa. Almoço a correr. Vivo a correr, para além de gostar de fazer todo o resto que faço. Hoje, saí para ir a uma caixa ATM e foi quando vi Djick, vindo em minha direcção, caminhando a passo de vaca, de calções, chinelas, óculos de mergulho, barbatanas e assobiando. Vi aquela nuvem de tranquilidade aproximando até chegar a mim. Cumprimentou e perguntei-lhe, carregado de inveja: "vai curtir uma praia?" Ele respondeu: "sempre!" E continuou pela Wall Street abaixo, como se nada fosse. Como se todos os dias fossem um domingo tranquilo.

Quando chegar à sua idade, quero ter o físico, a mente, a sabedoria e a calma deste homem, o meu professor de filosofia de vida.

Cultura Nacional

Manuel Maria Carrilho, antigo Min.Cultura de Portugal, escreveu uma carta onde tece duras críticas ao actual Min.Cultura. quanto à sua política cultural. Pergunto-me o que inibe os nossos antigos Min.Cultura de INTERVIR na presente política cultural. Carrilho que conseguiu aumentar o Orçamento do Estado para a Cultura para 1%, briga agora para que esta cifra seja reposta, uma vez que baixou. Dizia também que é preciso reforçar: o património, as artes cénicas (música, teatro e dança) e as artes visuais, o cinema e o audiovisual, o livro e a leitura, a acção cultural externa. Nós temos 3% e um déficit de projectos para qualquer uma dessas áreas. Nós ainda temos a área da Investigação Cultural, que para nós é crítica, visto precisarmos recuperar a memória e os nossos valores autóctones . Ainda há a questão da língua. Nós temos tudo por fazer, estamos sempre a re-inventar a roda e, ainda por cima, a estragar coisas que foram feitas. Em comparação:
  • Património - isso vai acabar, se não intervirmos. Veja-se os centros de Mindelo e Praia. Veja-se as construções (armazéns de betão) em pleno sítio arqueológico da Cidade Velha.
  • Artes de espectáculo - música vai sobrevivendo no mercado internacional; dança, o único grupo digno do nome sobrevive por milagre; teatro...o que falta para capitalizarmos a experiência de SV para todo o país?
  • Artes visuais - acabar com o projecto do antigo Centro Nacional de Artesanato foi o pior assassinato cultural do pós-independência; audiovisual e cinema, esquece! Escola, precisa-se!
  • Livro/Leitura - ....tenho dificuldades em dizer que temos uma ficção CV contemporânea. Quanta gente lê um livro por ano? Quantos autores em média conhece um jovem de 18 anos?
Se alguém disser que a actual política cultural do Estado é positiva, vai ter que explicar, porque eu não vejo. Mas, em contrapartida temos uma área super forte na nossa Política de Estado da Cultura: gastar dinheiro em fóruns, simpósios, medalhas e afins. Atão, alguma coisa havemos de fazer!

25.3.09

Cultura Capital

Bravo CMP por querer mostrar serviço no sector da Cultura. Vamos lá ver uma coisa: já repararam como a Cultura é um factor multiplicador forte? Já repararam como aumenta a circulação sanguínea na cidade quando acontecem coisas? Os restaurantes e bares se anima, as praças se animam, as ruas se animam. As pessoas se encontram, discutem coisas, planeam coisas novas. De repente sentimos a fazer parte de um burgo. É só ter um pouquinho de vontade, imaginação....e competência, é claro.

Bravo CMP, que se institucionalize essas acções, que não seja sol de pouca dura, que não venham a ser infectados pelo vírus da política do expediente. Que tenham amor à cidade, numa palavra.

Não me matem!

Esta é a frase de Isaura Gomes em reacção ao anúncio de João do Carmo, responsável do PAICV por S.Vicente, que brevemente virá apresentar provas de bandidagem na CMSV. Ingenuidade política de um lado, do novel João do Carmo, que deve aprender que não se anuncia escândalos; ou apresentava as tais provas no momento do anúncio ou ficava caladinho que tem muito tempo à frente para mostrar serviço. Maquiavelismo de fazer inveja ao próprio Maquiavel de Isaura Gomes, que assim se defende, invocando os fantasmas que ensobravam o PAICV de outrora; qualquer coisa que venha a acontecer depois, mesmo sendo verdade, já estará envolta numa capa de perseguição.

E mais uma vez, as coisas do Estado ficam neste mar turvo de conjecturas.

(In)consequência II

O MPD, em sessão parlamentar, disse que as contas do Estado estão repletas de irregularidades e omissões. O PAICV, na mesma sessão parlamentar, disse que o actual Governo pauta-se pela transparência e rigor, mas no entanto reconhece que as contas contêm irregularidades "inerentes ao sistema".

Algum valor está aqui distorcido: ou o da transparência, ou o do rigor, ou o de prestação de contas, ou o de irregularidade. É o princípio crioulo do "mais ou menos" aplicado às contas do Estado. Resta saber se essas irregularidades estão para mais ou para menos e a quem isso custa.

(In)consequência

O que acontecerá quando o contador, que vai contando os dias que falta para o Min.Cultura apresentar o seu Plano Estratégico da Cultura (que está aqui ao lado no Bianda), dizia, o que acontecerá quando este contador chegar a zero? O que acontecerá se, nem este ano, nem até o final do mandato, nem nunca, o Min.Cultura conseguir cumprir a promessa de construir: 1museu na Cidade Velha, 1 Galeria de Arte Contemporânea na Praia, 1 grande Auditório no Mindelo. Já agora qual é o critério dessa distruibuição geográfica?