17.4.09

Quem nos socorre?

Segundo Manuel Veiga, os "ganhos conseguidos com a sua governação...a mudança cada vez mais positiva e actuante na atitude dos sujeitos culturais e actores políticos; o aumento crescente da credibilidade no sector, traduzido no aumento orçamental, as novas tarefas e algumas distinções feitas ao Ministério, tanto pelo Governo como também pela cidadania cultural; e ainda as acções de vulto empreendidas pelo Ministério, em vários domínios culturais, como a arte, a investigação, a legislação, o património e a salvaguarda da identidade

Como posso chamar a isso? Confusão? Trapalhada? Gozo? O que é isto, que saiu nesta notícia no A Semana Online? Que foi devidamente comentada no Cafe Margoso.

É assim: eu já nem me importo que o homem ande a gozar com a cara de cada qual, que não consiga dialogar com ninguém e que não tenha uma ponta de dignidade para pedir a sua demissão. O que me indigna é o imposto que pagamos para alimentar esta corja, as suas benesses e as suas regalias.

E espero bem que José Maria Neves perca bastante votos por causa da sua desastrada política cultural. Receio é que isso não tire votos a ninguém em CV.

Correcção

No post em que digo a frase "Se Deus tivesse feito um estudo de impacto ambiental...", a frase não é minha, muito menos da Cristina, muito menos do pai dela. Ao autor as desculpas. A brincadeira sobre o Min.Ambiente é da minha autoria e responsabilidade. Uma pequena confusão. As desculpas.

Novos piratas

Piratas estão em mó de cima. Hoje são outros tesouros, mas pirata é pirata, nos séculos passados e presente, embora os do passado tenham contribuído para a riqueza de algumas nações e tenham as cabeças em prateleiras douradas da história. Heróis quase.

Pirataria é igual em todo o tempo, embora a tecnologia esteja hoje umas tantas vezes mais mortal e a espécie humana seja progressivamente mais violenta, conduzindo-se à auto extinção, parece. Hoje, piratas deslocam-se em barcos velozes, as comunicações são uma maravilha e as armas são utensílios de matar de alta precisão e destruição.

Pirataria é tão nosso como de todo o mundo. Cada Estado, político ou empresário corrupto, em qualquer parte do mundo, é agente disso. Redes de tráficos de droga, armas e pessoas, são causa e consequência disso. Nossos portos e aeroportos são infra-estrutura de apoio disso. Guerras fratricidas dentro dos países, já de si depauperados, dependem disso. A indústria escandalosa e milionária de armas é a própria ossatura disso. Pirataria é mais do que um punhado de esfarrapados com poder de fogo. E as Nações Unidas a fingir que não tem nada a ver com isso.

Fofos

Que fofos o Primeiro-Ministro e o Presidente da CMP, em encontro oficial, que mais parecia uma alegre cavaqueira. Eram só sorrisos. Se sorrissem eram deixava até de ter piada.

É preciso complementaridade na questão do governo central/local, concordam na perfeição os dois fofinhos. Concordo. É preciso rever a questão do estatuto especial da cidade da Praia. Não concordo. Estatuto especial soa-me a meter lixo debaixo do tapete. É preciso sim rever a questão do poder local, das suas finanças, da questão dos terrenos, clarificar as águas. Estatuto especial soa-me a remendo.

Mas, vá lá, há que aproveitar este momento de amor entre os dois fofos, à partida inimigos de estimação, porque daqui para as eleições, sorrisos podem se transformar em cara feia e considerações menos simpáticas dum em relação ao outro.

15.4.09

Este tipo...

Este tipo não é do tipo assim, assado, de se conhecer de horóscopo, de se tentar adivinhar, de se aplicar fórmulas conhecidas, porque eventualmente nenhuma dessas estratégias vai servir para nos confortar a ponto de se reclinar num sofá e dizer: pronto, captei este tipo. Estejam sempre preparados para serem apanhados em contrapé por este tipo. Não se deixem tranquilar. Não façam disparates disfarçados de acções. Ou então façam disparates assumidamente disparates. Escolham uma das duas maneiras de estar ao pé deste tipo: estar ou não estar.

Este tipo não é tipo de estar com um blog para a eternidade. Nem de se conter num ponto, muito menos num traço, muito menos numa imagem. Precisa se explodir periodicamente e depois se catar. Por isso não há tristeza em Ala Marginal ficar por aqui. Ele, o tipo, vai para um outro sítio, esbofetar o conformismo que está em todo o lado. Ele o tipo não pára.

Habituaram-se à cocaína? Desabituem-se porra!

Povo com sede

Foi lindo, lindo, lindo, ver pela televisão milhares de pessoas na Rua de Lisboa, Mindelo, em pé, para ver Tito Paris e Orquestra Metropolitana de Lisboa. Mas sou obrigado a concordar com o João Branco que, pelo que me apercebi, a montagem do palco não podia favorecer a transmissão do som delicado de uma orquestra. O palco tinha que ser feito como uma grande caixa de ressonância, como uma vez vi feito na Alemanha, se não me engano, em que num anfiteatro desses medievais, foi construído como que uma concha à volta do palco e o som saia como um assobio de pássaros. De todo o modo foi lindo de ver.

Aqui na Praia, os glamurosos de serviço acharam que nem o povo, nem ninguém podia ver a orquestra, a não ser quem pertença ao círculo restricto de Santa Sociedade de Faz de Conta. Um show desses à porta fechada!!?

14.4.09

Pensamentos

Se Deus tivesse feito um estudo de impacto ambiental antes da criação do homem, jamais o teria criado

...Ou então fez como o Min.Ambiente: ignorou o estudo e fez-nos na mesma :)

Odontologia

Em tempo de preparação de campanhas políticas, os jornais se transformam em seres, com estômago, intestinos, arrotos, peidos, mudam de pele, de face, de tom, de humor.

Ficamos a saber afinal que, por trás dos jornais, que saem fininhos das imprensas, nos ecrãs, ou publicados na Internet, tem homens e mulheres, que tem cú e tem medo, tem amor e tem ódio.

- Esses tipos querem matar-me! - grita uma mulher.
- Chilique de velha sabida - respondem.
- Aguentaram-se desta vez, mas para a próxima os deitamos abaixo.
- O país nunca este tão bem senhores!

Publicam-se provas irrefutáveis de crime. Exibem-se quadros e gráficos ilegíveis, pretensas sondagens à vontade do povo. As colunas da fofoquice, as preferidas da maioria, tornam-se o próprio sistema central dos jornais e a deontologia, esta espécie de juramento secreto, dá ares de odontologia, ciência de reparação de dentes podres e mau hálito.

Em tempo de preparação de campanha política, afinal, homens, políticos, jornais e mulheres, são só seres com medo de morrer, ou vontade de acordar e ter o motorista à porta e o contabilista a cuidar que não dormimos a fazer contas à vida.

13.4.09

Tito Erudito

Tito Paris em Cabo Verde e Orquestra Metropolitana de Lisboa. Até o título é grande!

Este sonho já vem sendo sonhado por Tito há algum tempo. Lembram-se de uma história de Tito, Min.Cultura CV e 200 mil? Na altura, terão dado ao Tito um cheque de 200 mil ESCUDOS, quantia claramente ridícula para uma operação deste tipo. Se calhar foi uma pequena confusão de linguagem. Terá sido 200 mil EUROS a quantia pedida. Enfim, entre escudos e euros, azedaram-se a relação entre os dois ilustres, que chegaram mesmo a trocar umas farpas por escrito. Que seria de nós sem riola?

Desta vez o homem vem mesmo, por via de um Banco. Mas é mesmo assim, o dinheirinho tem de vir de quem a faz e não do Min.Cultura, que deve se preocupar com questões mais … eh … digamos … caras! 200 mil escudos se calhar é quanto o Ministro gasta de combustível ao ano.

Rua de Lisboa (foi escolhido pelo nome?), 13 Abril. Auditório Nacional (residência de aranhas em tempo normal), 17 Abril. Vamos desentupir os ouvidos.

11.4.09

No country for kiddos

Crianças, acabou a brincadeira! Jorge Santos e meninada que andou a brincar aos partidos e candidatos naturais, por favor dêem licença que é hora de pessoal da pesada. Vem aí um think tank, tanque que pensa, artilharia pesada, isto é, Carlos Veiga e a tropa (quase) toda. O general e os seus coronéis. Nomes de fazer medo.

As manobras estão desenhadas em papel milimétrico. Carlos "Think Tank" Veiga vai assumir os comandos do partido, irá à guerra das legislativas, ganhará a guerra, governará por um tempo, até o tempo das presindenciais, abandonará o governo, contando já com experiência em tal manobra, irá à guerra das presidenciais, ganhará a guerra, deixando o governo ao coronel Ulisses, que, obviamente, terá de abandonar a câmara ao deus dará. Tudo limpinho. Pelo menos é o plano. Ao menino Jorge, convém não espernear, fica quieto que ainda poderá ganhar a assembleia nacional de prenda de bom comportamento. Menino Freire barulhento, faz menos barulho agora e, quiça, uma secretaria de Estado. Menino Dico pode continuar a brincar de saltar paredes que ninguém o vai reprender pelas suas traquinices.

Ao outro lado, conselhos de estratégia. Não é tempo de amor à terra; é tempo de amor à vida! Preparem-se. Zema, tira o lastro de chumbo do governo, isto é, a Veigada, a Sidoniada e outras peças inúteis, arranja melhores homens de campo que Barbinha e Filú, faz exercício físico, põe-te leve, que a luta vai pedir corpo a corpo e derramamento de suor, sangue e lágrimas.

That's why a love this country: entertainment.

9.4.09

Jazz nasceu em Cuba

...também. Nasceu em Cuba também. Reza a história que, na mesma altura em que nascia e crescia rapidamente o jazz norte-americano, o de Cuba também se esboçava. Reza a história que negros de Cuba e de New Orleans tinham uma profícua relação de intercâmbio musical. Reza ainda a história que terão havido proveitosos jam sessions promovidos por Cachao em New York, entre jazzers dos dois locais, no início do séc.XX. Não é fabuloso?!

Mais tarde, acabaram por criar um ramo inteirinho e próprio do jazz: o latin jazz. Cuba influenciou e influencia o jazz em toda a américa latina, américa do sul, incluindo Brasil, e em todo o mundo.

Para além disso, Cuba tem uma sólida formação em música clássica. Teve uma orquestra sinfónica desde os finais do séc.XIX. Cuba no mundo é uma superpotência na música. Este artigo aqui em Wikipedia é muito esclarecedor.

Jorge Reyes e banda foi, para mim, o topo de qualidade do festival. O maior agrupamento de estrelas a tocar ao mesmo tempo e todos em conjunto num som divinal.

8.4.09

Post KriolJazz II

O KriolJazz desenhou um eixo que vai das ilhas Reunião, oceano índico, até as Caraíbas, no extremo ocidente do oceano atlântico, percorrendo metade do globo, na longitudinal. E no entanto culturas com grandes semelhanças e subtis diferenças: as culturas crioulas.

É excitante a ideia de um festival, tendo a cidade da Praia como centro. Para além do espectáculo da arte universal que é o jazz, pode mobilizar estudiosos e intelectuais das mais diversas áreas das ciências humanas, em torno de um conceito que não se encontra fechado: a crioulidade. Pelo contrário, é um conceito que sofre do peso da herança das suas culturas de origem. A velha questão "mais africanos ou mais europeus"; e que tal, nem uma coisa, nem outra; crioulos. Mas o que é isso exactamente?

E mais uma vez, a cidade da Praia tem que aproveitar essas oportunidades para se constituir como uma cidade importante no mundo, do ponto de vista cultural, político e económico.

Um encanto!

Este disco é como um chá da nossa erva preferida. Deve ser tomada nas calmas. Essencialmente não se deve pôr gelo para esfriar, nem se deve lavar a louça enquanto se o ouve. Deve ser ouvido sentado, bebericando. Quanto melhor o sistema de som, melhor a escuta do trabalho rítmico e harmónico delicado de Hernâni, surpreendentemente ao baixo, e da percussão divinal de Ndu. Não se deve ouvir muito alto, que não é música de discoteca, nem muito baixo para se poder ouvir as notas ao acordeão de Zeca Couto e à guitarra de Voginha e Hernani. Uma música com a cara, o corpo e o espírito da sua intérprete. A tal interpretação autoral: não precisou imitar ninguém para interpretar o lindo batuque "konkista rabeladu", por exemplo.

E tal como acontece com o disco do Hernani "Afronamin" ou o do Djinho Barbosa "Tras di Son", este disco é um acto de rebeldia, pois que não traz o selo de nenhuma grande produtora, que terá permitido a liberdade artística total do seu director musical, Hernani, e da sua autora, mas que poderá prejudicar a sua distribuição aos quatro cantos do mundo, que merecem aceder a este maravilhoso début discográfico de Isa Pereira. Aliás, chegou a hora de abrir o debate sobre isso.

7.4.09

Actores fantásticos

Kate Winslet neste filme tem uma trabalho ARREPIANTE!!!...Pela fantástica nudez, pela entrega, pela coragem, pela interpretação minuciosa. Por ser, na primeira parte uma linda e sensualíssima mulher e na segunda parte uma deprimida e feia velha. Merece cada grama do Óscar que ganhou. Cinéfilos, quem ainda não viu o filme, procurem-no, que no entanto não é uma grande realização, mas Kate Winslet e Ralph Fiennes fazem-no valor muito a pena.

Post KriolJazz - adendun

Que fique claro: Gamboa é absolutamente necessário, até por uma razão muito simples: vai muito mais gente e é uma expressão muito mais íntima das pessoas. Eu vou à Gamboa e gosto de Gamboa, Baia, Santa Maria, S.Cruz e todos os demais festivais populares. O que não podemos é desenhar uma política cultural do Estado à volta disso. Temos que premiar o trabalho, o desenvolvimento, o sacrifício...o mérito. Temos que separar as coisas e não promover um e destruir o outro.