30.4.09

Que tal um imposto sobre asneiras?

Vejamos: do abandono total, o campo de concentração do Tarrafal vai passar ao delírio total. De uma assentada, o Governo quer para o sítio: um Museu da Leberdade, em vez da denominação "Museu da Resistência Anti-Fascismo", não se explicando o que há/houve de errado com a resistência anti-fascista se de facto foi o que aconteceu; um pólo de História da UniCV, como se pólos de universidades se mudassem como se muda de apartamento; e ainda o Dr Honoris Non-Causa, Manuel Veiga, acha que seria interessante que as casinhas à volta do campo dariam óptimas residências turísticas, no sua já irritante fixação com o turismo e isso referindo-se às dependências exteriores ao campo como "casinhas".

Como disse João Domingos, Presidente da Câmara Municipal do Tarrafal: "Há aqui muitos dizeres"

Superlativo absoluto sintético e ridículo

O nosso Ministério de Cultura vai de mau a mauíssimo. Só não é mais pior, porque esta forma gramatical não existe. Vejam isto: "Centro Cultural do Mindelo utilizado para culto de seita", in Cafe Margoso

29.4.09

Estamos taxados!

Bianda declara-se ANTI OVERTAXING MILITANTE

Dêem um check aqui no ZQZIRA. Também já tinha recebido por e-mail.

Os dias que nos trespassam

Que dia é hoje? 27? Não, isso foi há 2 dias. Foi dia da mulher cabo-verdiana, não foi? Não, isso foi há 2 dias do mês passado. Há pois, daqui a 2 dias é dia do trabalhador, em que não se trabalha, não é? Sim. Hoje é dia da dança.

Não vivemos a tirania dos dias?...Bom, vá lá, é sempre um pretexto para fazer um encontro de reflexão, ou não, ou oferecer uma prenda. Servirá sempre para alguma coisa. Eu que não ligo para dia nenhum, útil ou inútil, sei o que é sofrer com a mágoa dos outros quando não me lembro dos seus dias. Desculpem, tá?! É que normalmente estou tão ligado ao dia, que me esqueço dele.

Somos feitos de quê?

Ao ler os comentários à entrevista da Isa Pereira, n'A Semana Online, fico numa grande confusão!! Somos feitos de quê? De estrume? Somos o quê? Contentores de frustrações? Sofremos de quê? De perturbações mentais congénitas incuráveis? Ou só somos criaturas armados em engraçadinhos?

E o que é o A Semana Online? A versão Internet do maior jornal do país? Um exercício desastrado de cidadania ? Ou um penico digital?

Porra, que indignação!!

27.4.09

A complexidade macha

Mulheres são criaturas tão complexas que nem as próprias se põem a perceber. Existe cientista algum que explique por que mistério o orgasmo feminino é tão injustamente mais criativo que o masculino? No entanto todo o homem sabe que o urinar feminino é um mero assobiar na sanita, ao passo que o masculino é tão complexo quanto o orgasmo feminino.

Durante anos aprimorei técnicas para acertar discretamente a sanita, num suave e silencioso desaguar, tal me irritava o borbulhar ruidoso do acto. Errado! O urinar masculino deve retumbar na água como um trovão. Um bom urinar tem atributos de potência, na velocidade, no caudal e no volume. Tem um som grosso e prolongado. Deve ressoar para fora do local onde é feito, para que pelo som se possa avaliar a força e a constituição da aparelhagem do dito cujo. Ao exercício da velocidade da urina estão implicados importantes estímulos à musculatura junto ao saco, que favorecem o seu desenvolvimento e da sua valiosa carga. Ao caudal relaciona-se o diâmetro e o comprimento do tubo, instrumento central na implantação de filhos no ventre de uma mulher. Ao volume do líquido deve-se à expansão da bexiga e, consequentemente, de toda a ossatura responsável por eficazes movimentos reprodutores, sendo por isso a ingestão generosa da cerveja um claro benefício.

Desconfiavam pois as mulheres que o urinar masculino fosse um tremendo acto de selecção natural? Por isso, é frequente ouvir-se perguntar a jovens rapazes, numa preocupação sexo-iniciática dos mais crescidos: então como vai a urina? A gotas ou a baldes? A pior coisa que pode acontecer a um macho é anunciar que vai mijar, anúncio que faz parte do processo, criar as expectativas e no final sair-lhe um ridículo fio de mijo. É como não alcançar o orgasmo.

25.4.09

25 Abril

Hoje é 25 de Abril, uma data revolucionária para portugueses, caboverdianos, guineenses, angolanos, moçambicanos e timorenses. É certo que até hoje, mentes portuguesas mais tacanhas não se permitirão admitir que, nós africanos, somos uma contribuição de peso para que pudessem comemorar a data. É certo igual que até hoje, mentes africanas encurtadas não se permitirão admitir que partilhemos as conquistas da liberdade junto com os portugueses. Reconciliação com a história é necessária, como foi necessária a reconciliação entre França e Inglaterra, cão e gato em outros tempos.

Este dia, 25 de Abril, não é dia de endereçar cumprimentos ao povo português, como se não tivessemos nada a ver com isso. É dia de reclamar um ensino da história comum, para que possamos aprender que, no mundo não existem uns países contra os outros; existem umas mentes contra outras. Este dia é de reclamar um ensino da história que nos faça respeitar sobretudo as grandes personalidades do idealismo africano e as grandes personalidades da resistência portuguesa.

24.4.09

Protesto

Um cidadão - como direi? mandjaku não, que é feio; africano não, porque também sou; vamos dizer, do continente - na ilha do Sal, um burlão, vulgo bandideco, evadiu-se pela segunda vez da cadeia, mas desta segunda vez foi se entregar, para ser remetido na cadeia, por livre e espontânea vontade. Razões: falta de desafio; é muito fácil evadir-se da cadeia do Sal. E como disse o primeiro comentador deste texto: de todo o modo tá-se bem lá dentro e ainda o tipo poderá sair quando lhe der na gana. Tipo turismo né?

Quero protestar contra esta falta de desafio das nossas cadeias!...Escandaloso!

23.4.09

Últimos episódios, telenovela longa

A telenovela Oposição ficou chocha, chocha, chocha! Arrasta-se. Já se antecipam os capítulos todos. Já se decorou as falas. Todo o menino já sabe a vírgula que vem a seguir. Os actores criaram barriga. As actrizes não renovam mais os penteados. A gente em casa desliga a televisão para não ter que ver a telenovela.

Aí, a Mídia, produtora da telenovela, reagiu. Deu uma renovada emocional. Anunciou que regressaria o galã mais amado de toda a Oposição: Tchaplan. Ai Jesus! A notícia deu um baque no coração das meninas. Anunciou que os capítulos a seguir trariam mais alegrias e que no final, um inédito, Tchaplan casaria com a mais fervorosa das telespectadoras. Ai Jesus! A temperatura aumentou na cidade.

A notícia desfez casamentos, anulou noivados, estragou namoros. Quem podia comprava roupa nova. Pais investiram nas filhas, financiaram vestidos de noiva, véu, grinalda, flores, coros, missas. A cada dia a Mídia fazia um novo capítulo e não revelava nada. Na verdade, ninguém sabia se Tchaplan regressaria mesmo. A cada dia, havia mais expectativa. As meninas agitavam-se de excitação, falavam para a televisão, choravam. Não podiam mais aguentar a emoção.

Finalmente, o grande dia. Foi manchete em toda a imprensa. Foi organizada na praça um telão. Montou-se uma brigada de prevenção de surtos de hipertensão. O capítulo final. Tchaplan apareceu e o delírio tapou todos os ruídos da cidade e as luzes ficaram mais incandescentes. Silêncio. Tchaplan falou. Não tinha a fala encantadora de antigamente. Tinha a cara mais velha e menos brilho no olhar. Sorria de esgar, mas ia se casar sim! A Mídia tinha escolhido a moça, a mais fervorosa das telespectadoras. O delírio! A moça parecia não ligar para as rugas do envelhecido Tchaplan. Casou. Afinal era o sonho dela.

Finalmente, o grande dia. Foi manchete em toda a imprensa. Foi organizada na praça um telão. Montou-se uma brigada de prevenção de surtos de hipertensão. O capítulo final. Tchaplan apareceu e o delírio tapou todos os ruídos da cidade e as luzes ficaram mais incandescentes. Silêncio. Tchaplan falou. Não tinha nenhuma piada na voz. Tinha a cara muito mais velha e nenhum brilho no olhar. Não iria haver casamento nenhum. Silêncio. Desapareceu qualquer suspiro do ar. Não tinha mais luz. Nos dias a seguir, havia relatos de tumultos. Famílias desfeitas. Pais, que investiram as economias, arruinados. Teriam acontecido até suicídios.

22.4.09

O mundo de novo

Este post vai para Macau, de onde escreveu João Francisco B. Santos. E vai para todos os leitores de todo o mundo. Vai para este exuberante mundo novo de encurtadas distâncias. Há físicos que se dedicam seriamente à teoria da viagem no tempo, dizendo que, quanto mais rápido deslocarmos, menor serão as distâncias e nessa progressão, teoricamente, podíamos ultrapassar o próprio tempo e viajar para o...futuro. Dificilmente a nossa pobre matéria aguentaria tal viagem, mas o nosso pensamento pode. A incrível revolução que a era da Internet está a operar no nosso tempo é essa redefinição de distância e espaço. É um mundo novo.

Internet está para a pós-modernidade (a nossa actualidade), como a electricidade esteve para a modernidade. Toda a civilização humana está se deslocando para a Internet, do económico, do social e do cultural. As redes sociais são muito maiores que relações de vizinhança físicas; os maiores grupos económicos de agora e do futuro são/serão os que operam na Internet; mesmo a arte busca uma linguagem nesse espaço, falando-se em "Internet art", assunto bastante longo para ser resumido aqui. Neste mundo novo, é triste verificar que África continua a ser miserável, Cabo Verde incluindo. O programa do governo "Mundu Novu" peca gravemente no conceito, agindo no visível, marca dos políticos, preconizando a distribuição de computadores, e olvida o invisível, o essencial, o verdadeiro atraso, que é a CONECTIVIDADE. Estamos literalmente desconectados da Internet, o mundo novo. Eu tenho sorte de ser os 13% com acesso a isto e aproveito e mando um cyber-abraço aos meus fiés leitores diários (mesmo que não comentem, sei que estão aí; é a tecnologia!)

21.4.09

Globalização é...Cultura

World Digital Free Library é hoje aberta a todos de todo o mundo.

Em Cabo Verde serão só uns meros 13% da população a conseguir ter acesso a isso. Internet está para a pós-modernidade, como a electricidade esteve para a modernidade

Chapas Amarelas

“Chapas Amarelas” é uma reputada empresa de transportes. É bastante versátil. É multi-frota, com predominância para modelos de topo de gama, mas também tem carrinhas e camiões. Transporta meninos à escola, filho de e mais 3 ou 4 coleguinhas por viatura, vão fresquinhos e isolados dos percalços da estrada, garantindo que se concentrem exclusivamente nos estudos. Para além desta importante função educativa, “Chapas Amarelas” vai às compras, levam as esposas ociosas ao cabeleireiro, transportam materiais de construção, levam o electricista ou o canalizador lá em casa, fazem paródia, passeiam-se aos fins-de-semana, vão a todo o lado.

“Chapas Amarelas” tem a enorme vantagem de apresentar uma frota sempre novinha. Mas o melhor é que o combustível, o ar condicionado, os pneus, as peças, a manutenção, os seguros, os impostos, as reparações, é tudo de borla! O grande inconveniente é que, para se ter acesso a esta maravilhosa transportadora é preciso ganhar as eleições. Mas como de 8 em 8 anos, ou ganham uns, ou ganham outros, é só ter 8 anos de paciência.

20.4.09

Aves raras

Era uma vez um pássaro chamado Filú. Só podia ser avistado na floresta encantada de Cabo Verde. Na origem, nem passarinha exótica, nem imponente águia-real. Somente um pássaro de voo comum, simpático e divertido, integrado e querido da comunidade. Um dia o pássaro Filú ambicionou voar mais alto e entrou na política, a conhecida corrente de ar ascendente, que projecta passarinhos e passarões para cima, sem que necessitem bater muito as asas. Filú ganhou alturas e embriagou-se. Sofreu metamorfoses, ficando as asas maiores e a plumagem mais pomposa. Aprendeu a fazer umas piruetas e passou a gritar, convencido que cantava. Tornou-se arrogante, voando e cagando a cidade toda, convencido que a sua porcaria representava uma bênção que caia dos céus. Tornou-se predador, alimentando-se dos da sua espécie, sendo jovens pombos o seu pitéu preferido. Tornou-se ave rara, ambicionando voos ainda mais altos e foi então que a população, em eleições, resolveu cortar as asas do bicho, que levou um grande e inesperado tombo.

De um dia para o outro, o pássaro Filú deixou de se ver. Recomeçou a piar timidamente pouco tempo depois, um piar de lamento. Passou a deslocar-se aos pulinhos, em figura triste. Nisso, um outro não menos notável passarinho, conhecido por moranguinho, tendo enchido o coração de piedade, ofereceu ao pássaro Filú um par de asas, não tão potentes, mas suficientes para, em pouco tempo, resgatar a sua capacidade de voar e, em pouco tempo, já piava com mais força, ensaiava novos voos e sem muita modéstia voltava a querer descaradamente ganhar os ares, ainda a cidade a tentar desincrustar a acumulação de porcaria deixada por anos de cagada.

Frases fantásticas

"N'sta xinti gosi mas kapasitada na nha ária di kabélu"
Formanda, curso de capacitação cabeleireiras

18.4.09

Trapalhada clássica

Afinal, acabei por ir ao hiper propalado show do Tito Paris e devo isso à insistência de João Neves, director do CCP-Praia, a quem agradeço sentidamente, pelo empenho em “corrigir” uma certa antipatia do evento em relação a algumas pessoas. Muito mais do que eu, outras pessoas, músicos super interessados, ficaram frustrados.

Afinal, o hiper propalado evento foi uma autêntica bosta! Produção de última categoria. O primeiríssimo destaque pela triste negativa, foi a onda dos convites, que resultou em desastre. Muita, mas muita boa gente , inclusive figuras de destaque, assistiu o show em pé, com os seus lindos vestidos de noite, em cima do salto, as suas fatiotas, preparados para um espectáculo de salão. A sala abarrotou, o que começou a estragar a produção. Era gente a circular por todos os lados. Fotógrafos a subir ao palco…um ambiente instável. Se tivessem reservado parte dos lugares e vendido bilhetes, caros que fossem, o cuidado teria sido outro.

O show foi looongo e Tito portou-se de forma intolerável, dado o tipo de evento, o tipo de lugar e o tipo de plateia. Atropelou gravemente o protocolo, fazendo piadinhas parvas em relação aos membros do governo e ao presidente da assembleia. Falou demais e está definitivamente provado que Tito só devia cantar. Por fim, convidou pessoas demais a subir ao palco, que causaram alguma rebaldaria, exagerou na graxa a determinadas pessoas, mandava a orquestra parar (imaginem!) para conversar com o público e o público, este, embarcou no carnaval. As pessoas riam, aplaudiam e, nervosamente, apupavam as piadinhas insossas do Tito, esquecendo que estavam ali para ver uma, caramba, orquestra!

E no meio disso tudo, nos momentos em que a sala conseguia se comportar, o melhor da noite soava: a música! As lindas melodias de Tito, o lindo acompanhamento da orquestra, os talentosos músicos, a arte finalmente. E mesmo assim, fiquei por perceber a ideia do Tito em preparar um repertório mais “sensual” para a Praia(!?), segundo o próprio, em entrevista na rádio. Dá-me vontade de o mandar para o cara…! Tito, na Praia, há público também para um repertório menos “sensual” e aquilo não era para ser propriamente um baile.

Saí desgostado e desgastado, após o stress dos convites e as longas 3h (!) de…Que me desculpe o leitor o fel que me sai pelas ventas. Insisto: ou é arte, ou é entretenimento, ou é rebaldaria. Tudo junto é que não dá.