18.5.09

Blog joint: Info-exclusão

Este é um tema que, como "Política Cultura", "Oficialização da Língua Materna", etc, por estar demasiado aberto e sem que especialistas se posicionem com convicção, gera todo o tipo leitura, cada um a lê-lo da maneira que lhe interessa. Mas é um tema de incrível presença já na nossa sociedade e no mundo. É que as coisas correram depressa e nós andamos devagar.

O combate à info-exclusão, nos dias de hoje, está na mesma linha que a luta por regras livre e justas do Comércio Internacional, ou o combate ao analfabetismo, ou reclamar o direito de acesso aos bens culturais. Por uma razão simples: toda a civilização humana se migra para a Internet: do económico, do social, do cultural. Em Cabo Verde esta migração ainda (!) só começou e vacila. Àparte o sector público que beneficia do maior projecto de todos os tempos (digo eu) de reforma da Administração Pública, o NOSI, no Sector Privado é uma lástima, quanto mais as Famílias. Para além do Internet Banking, não conhecemos outro serviço privado na Internet. Só 13% da Famílias alguma vez usou a Internet e desses, a maior parte faz só uso do e-mail ou pesquisas rápidas. Há um deixar andar da parte de políticas que não se entende...ou entende-se muito bem. Será que o facto de a CVT, concessionária de TODA a infraestrutura de base de Comunicações do país, lucrar milhões de contos e que boa fatia desse dinheiro entrar fresquinho nos cofres do Estado, nos tem turvado a visão?

ESTAMOS ATRASADOS! (Again...)

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16.5.09

Tambla

...ainda estou a tentar encontrar uma palavra, que não seja cliché, habitual, lamecha, pouca, exagerada e pseudo-humilde ao mesmo tempo para te dizer: obrigado.

Não vou esconder o orgulho, nem vou fingir a emoção. Percebi tão-somente o sentido da tua dedicatória, espantei-me naturalmente, até porque todos correram para me trazer a nova, como se uma estrela acabasse de nascer, corri também para ver que acontecimento tão perturbador tinha acabado de acontecer e ponho-me a ler-te. Nada mais simples. E ouvi o grito que tens entalado na garganta, como de resto já vamos ficando todos de garganta entalada de gritos, as podendo gritar e sem onde as poder gritar, nem ao ar.

Esperando que, podendo, possas sempre soltar esse fino desabafo, como agulha. Se te devolvo o mimo aqui, é que aqui não se ouve a não ser que o sintas.

Tarrafal by Paradela

Depois de assistir ao filme do Paradela, tenho tanta raiva, que já não sei com o que estou mais preocupado: com o que vai acontecer no dia zero do contador ou com a torrente de coisas que tenho embrulhado na garganta sobre o assunto. Só uma dica: andamos todos a brincar com a nossa História.

O próximo cocktail biandolotov será uma mistura de Ensino e Cultura. Vão pró raio!

15.5.09

Música para os nossos ouvidos! Detalhes: http://www.unicv.edu.cv/

O Capeta em crise de risite aguda

É constrangedor ver a quantidade de alma boa em incapacidade de emitir um audível basta que é estupidez que chegue!

Ver tantos olhares em exasperante silêncio se perguntando que lhes terá acontecido é um sufoco que ainda assim não se compara ao assistir do enterro vivo da faculdade de articular um definitivo e convicto desacordo ou observar cérebros a enfileirar-se na vez de verem extraídos o bocado que sente.

A gente pode sofrer de muitas enfermidades, exemplos de falta de amor, ter felicidade, conseguir a bondade, ser jovial, leviano, leve, malandro, maroto, mas falta de ser gente que sofre será quem sabe a enfermidade terminal.

Prepara-te tu também a te pôr na linha de ser decepado a virtude de debater por atitudes próprias.

Kit emergência

Sorri perante quem te intriga e faz-te parecer que se estala o dedo um bocado de ti pode cair

Denuncia o teu amigo que assim não denuncias o que te ocorreu no momento

Faz de conta que vais matar o teu colega em sinal de sacrifício

Sobrevive enquanto decides da validade de permaneceres vivo ou vegetativo

14.5.09

SOS!

Façam alguma coisa. Isto vai explodir dentro de dias (4 dias e a descontar) se nada acontecer! Não é bluff; explode mesmo! Ajudem o homem (MC); deem-lhe dicas; mandem-lhe uma cábula; copiem um plano estratégico qualquer (max 3 pilares); façam uma petição online...accionem o alerta vermelho!!!

Cinema do bom

Faço cartazes por amor, por caridade ou por dinheiro. Este fiz por amor: à causa, ao amigo e à sua arte. Paradela não é só um realizador; é um artista. Fizemos uma instalação de video-art juntos que me revelou toda a sua dimensão e linguagem artística. Esta é sua primeiríssima longa metragem, que está para o cinema como um romance está para a literatura. É um filme documentário, mas não esperem um documentário ordinário, com as déja-vu entrevistas recortadas de sequências fílmicas, as habituais narrações ou o irritante "ritmo televisão". Não. É um filme...de autor.

Que o céu seja o teu limite Paradela. E isso porque viagens espaciais ainda custam caro demais.

Patriota

"O que não tem remédio, remediado está...

Com a devida vénia ao blog Bianda, não posso deixar de escrever sobre o suposto pecado capital de Ulisses - a Construção de um hotel no farol.
Reza a história que Ulisses encontrou este suposto pecado capital já cometido, ainda mais repleto de ilegalidades, a saber:
- Nulidade por falta de forma;
- Nulidade por não ter havido autorização da Assembleia Municipal.
A Câmara Municipal declarou assim a nulidade deste contrato, cumprindo assim a lei.
Contudo, o pecado já estava demasiado pecaminoso, praticamente sem remédio, pelo que a solução foi remediar, isto é, cumprindo a lei.
Não se pode considerar isso como o maior pecado de Ulisses, se for pecado (não sei se é) será, seguramente, um dos pecados do Filú (.. e foram tantos os pecados...)"
in, Notas do Dono, 12/5/2009

Só faço uma pergunta, não ao advogado João Dono, mas ao cidadão João Dono: se o Estado não tem poderes para corrigir normas, acções e medidas individuais, ou mesmo colectivas, quem terá? Deus? Imagine, meu amigo, que em VÁRIAS partes do mundo (podendo citar Algarve, Palma de Maiorca, Canárias, que são alguns nomes familiares), não pudessem voltar atrás em suas decisões de cobrir a paisagem completamente e não pudessem implodir edifícios absurdos na orla marítica e retirar quarteirões inteiros de condomínios?

Este debate precisa ser sério. Sem emotividades e palhaçadas. Há técnicos nacionais e internacionais que podem conduzir um estudo decente sobre a matéria. Construir uma cidade em ausência de enquadramento normativo (Plano Director) é IMORAL.

E mais uma nota: quem tem a responsabilidade política de uma decisão é quem a efectiva e não quem a forja. Tu sabes isso cantado, advogado.

Medidas anti calças baixadas e saias subidas

Numa escola secundária em Portugal adoptaram um regulamento interno que...proíbe os rapazes de vestirem as calças baixadas, que mostram a "roupa interior" e as meninas de usarem "decotes profundos" e saias demasiado minis. Uau!

Em Cabo Verde, tais medidas seriam impossíveis. Para além do calor tropical, antes disso, há outras de altíssima prioridade: construir casas-de-banho no interior das escolas, em substituto das tradicionais ribanceiras e trás-de-edifícios; manter afastados homens velhos, barbudos e sem escrúpulos, que rondam descaradamente as entradas e saídas de menininhas-borboletas; moralizar e higienizar o proliferante comércio de substâncias líquidas e sólidas, mal identificadas, que servem de lanche, nas imediações das escolas; e uma série dessas cenas que têm ainda mais cabelo que o baixo ventre dos rapazes ou as altas pernas das meninas.

Descansem queridinhos que não é desta que vos metem a burka e as calças quadradas do passado.

13.5.09

KATANADA

IMI LIU KAMIKAZE
SEN-TI DIFURU
HARAKIRI MIDINA
SENSEI KADODU
FEFA FUJIFURU


São Samurais que se desenvolveram secretamente nas regiões de Son-Senti e San Ti-Agu, aprimorando técnicas avançadas de combate. Tem olhares de flecha e língua afiada. Alimentam-se de POL-VU NUMOLHU, substância que activa pontos vitais do corpo; BATATAFITA, um nutriente vegetal, gorduroso, altamente energético; e LON-GUISSA, que é uma espécie de pólvora que se come. Reúnem-se em centros de alta espiritualidade, conhecidos como LEBI-LEBI ou KAPA-KAPA.

Estão aí, preparando-se para impor rigorosos códigos de conduta à sociedade cabo-verdiana, prontos para cortar todo o excesso de órgão que se exiba por aí fazendo xixi; decapitar asas de passarinhos armados em passarões; detonar planos estratégicos com demasiados pilares; e no final, se nada disso resultar, explodem-se colectivamente. BANZAI!!!

Tenham medo, muito medo!

12.5.09

Diabo na praia de bikini vendo peixinhos que se afogam

Que nos faz tão tementes? Os quinhentos anos de escravatura, os quarenta de fascismo, os quinze de ditadura de meia tigela, os dez de violência democrática ou o inominável clima do auto infligido terror do silêncio dos dias do agora?

Que nos ameaça mais? Os canhões das selvas de guerra explosiva, a espada da guerra-fria, os dispositivos engenhocas da tortura, a aparelhagem da vingança, ou esta pergunta?

Que clima é este presente em cada anónimo que lê isto, do outro lado do cabo, mudo, rindo ou odiando com as tripas, em vez de se deixar esparramar no que pensa, no que sente, no que lhe dói, ou lhe alegra? É denominado medo? Fantasmas? Ou pessoas reais com úlceras gástricas em estado avançado de putrefacção?

Que significam essas vozes que me sussurram bolores, urina estagnada, ou fezes nos corredores da administração pública? Porque apunhalam à socapa os colaboradores as costas dos dirigentes, no lugar de dirimirem palavras limpas?

Que clima é este em mundo de intermináveis interconexões e expandidas fronteiras informacionais e exponenciais redes de gente de cor, voz e pensamento diferentes? Que clima este em tão parvamente pequena terra, capaz de ser engolida por uma só vaga do mar?

Será da clausura da ilha? Das distâncias curtas? Serão as ruas estreitas? É a impossibilidade da fuga? É a invasiva proximidade das pessoas? A excessiva consanguinidade? Cabeças presas? Mãos atadas?

Que teme a minha gente em suas frases de cautela? E que conselhos são esses nos olhos e nas rugas dos velhos? Que significam as condecorações de herói ao simples facto de poder dizer isto?

Fecho de correr de urgência

A arrogância torna-se necessária. Calar-se. Negar a interlocução. Negar opiniões. Calar-se. Fechar-se em conversas interiores, apenas arrotos.

Vai se tornando necessidade calar-se em conjuntura de barulho. Ou quando os corvos poisam. Ou quando a carne começa a estragar-se. Calar-se quando é tempo de pandemia de burrice.

Calar-se é a forma de ver para os pobres que mendigam um luxo. É como conter-se ante comportamentos de aspirantes a parvos. É como evitar vómitos. Calar-se ante o avanço das minhocas.

Calar-se é terapia da fraqueza. Cura males de falar. Pavor de escorregar para bater com a nuca em nada. Medo que o chão fuja.

11.5.09

Se países muito mais desenvolvidos que nós cometeram asneiras comprovadas, porquê não temos o direito de cometer os mesmos erros?

Recorro aos cafés do Café Margoso para oferecer um café à melhor resposta (tenho de começar a fazer café, senão o João explora-me)