12.6.09

Can face (cara-de-lata, segundo as enciclopédias)

Para o inglesinho, armado em mais chico-esperto que todos os chico-espertos, se posando de aventureiro-cineasta-explorador-charlatão-whatever, com um barco (se é que se pode chamar aquele meio de transporte de "barco") carregado de homens esfarrapados, visivelmente super entusiasmados com a aventura, para os medias que deram imenso espaço ao ditu cujo e a todos os aproveitadores desta terra e do mundo todo: FUCK OFF!

10.6.09

Hipócritas!

3 vivas à minho-kinha por esta potente e desbragada mostra de indignação. Se 1 em cada 1000 habitantes deste país mostrasse indignação para tudo o que os fere, haveria menos lata em tais actos e répteis não sairiam ao sol com tanta facilidade.

Barraca do MinCultura nº...

"Ferro-Gaita, grupo de dança Bibinha Cabral e Charles Akibodé são, para já, os nomes indicados para representar Cabo Verde no III Festival Mundial das Artes Negras"

"Para além dos nomes já citados, Cabo Verde deverá participar no III FESMAN com artistas senegaleses de origem cabo-verdiana ou através de artistas cabo-verdianos radicados no Senegal."

"Outra hipótese em carteira é a ida de um grupo de tocadores de cimboa. A ideia é do brasileiro Dinho Nascimento que quer levar ao FESMAN (...)"
Fonte: A Semana online

Deixa-me tentar adivinhar: o critério para a escolha desses elementos para o FESMAN será..que são todos negros? Plausível!

Embora reconheça que o tom escurecido da pele desses indivíduoso seja factor determinante e legitimante à sua participação em tão importante certame, não fazia mal nenhum, num momento em que o Min.Cultura acumula tantas barracas, que se abrisse a coisa a concurso público, que se socializasse a coisa, que se explicasse os critérios para que, um indivíduo que se dedica às artes e/ou é agente cultural, seja candidato a ser escolhido para tão importante evento.

Mais gostaria de saber, o que fazem os brasileiros e os senegaleses acima citados (sem desmerecer o seu trabalho), para merecerem mais atenção que os tantos que por esta terra labutam, dia após dia para separar a Cultura do Nepotismo. Será que Kwame Gamal, por exemplo, um dos indivíduos que mais tem insistido na "questão negra" em CV foi tido ou achado?

Mantenha-te louca Danae

Imagem: http://www.myspace.com/danaexdanae

As coisas baixaram de nível preocupantemente de "Condição de Louco" para este "Cafuca", avaliação de fã (eu).

Que aconteceu ao texto incrivelmente forte de sovacos, merda, porra, mamilo e tirar a cuequinha de Condição de Louco? Que aconteceu à tua poesia, extremamente pessoal e sentida? Que te deu para fazer agora essa poesia, repisadíssima de pescador e agricultor, de chuva e ondinhas do mar? Primeiro choque.

Que aconteceu à soberba orquestração de Condição de Louco? Ao rock, ao funky, ao groove? Que aconteceu com o óptimo baterista, que foi substituído pela irritante percussão de Cafuca? Os outros músicos demitiram-se todos ou foram demitidos? Cafuca traz 10% de música de Condição de Louco.

Danae, fala-te um fã, que não o vai deixar de ser pelo facto de ter comprado gato por lebre: Condição de Louco deu o tom, marcou triunfalmente o teu debut e, para mim, todas as subsequências da tua carreira deviam ter em atenção a isso, porque quem te procura agora (pelo menos eu) tem esta tua Condição como referência. Cafuca dói de tanta falta de imaginação.

9.6.09

Novos crioulos ou exactamente a mesma coisa?

São ou não são caboverdianos, Sara Tavares, José Luís Tavares, Carmen Souza e tantos outros, que nasceram cá, cedo sairam de cá, outros nem nasceram cá, mas todos teimam em chamar para si o apelo da caboverdianidade.

Caboverdianidade? Que é isso? Um estado de alma, uma condição, um passaporte ou uma bandeira? Qual é a fronteira em que se passa de caboverdiano a não-caboverdiano? E será que, em tal mundo de hoje faz sentido procurar as enseadas por onde traçar fronteiras? Não será suficiente, como me disse Tambla, só dizer: "meu nome é César e tenho uma coisa a dizer". Se nasci na Suécia ou na Malásia, interessa lá isso alguma coisa?

Cenário: concurso de vozes; vem a Sara Tavares e ganha. Imaginem só o coro de protestos: "Ela nem é caboverdiana!". Mas se não é, porque razão repetimos todos os dias: Cabo Verde são 11 ilhas: as 10 do arquipélago e mais 1 da diáspora? Porque razão, petulantemente, dizemos: a língua portuguesa é também a nossa pátria? Porque raio achamos: somos cidadãos do mundo?

8.6.09

(Ante)percurssões eleitorais

Sócrates teve as Europeias para o avisar. Neves já teve as Autárquicas para o avisar. A Oposição faz-se de morto, num misto de silêncio ensurdecedor e ausência irritante. 2011 promete!

Xintidu di Sara Tavares

Soa-me a som do céu e do sol juntos, o álbum "Xinti"de Sara Tavares. Xinti é música para ser ouvida num Domingo de manhã, ou qualquer outra hora que se pareça com uma manhã de Domingo, quando ainda a cidade não é tomada de ruídos de motores de carros e os seus condutores ainda dormem em vez de serem estúpidos em forma de buzinas.

Sara faz orações enquanto um casal de pardais são levianos na minha varanda. Domingo de manhã. Sara dessacraliza o intocável canto anti-bruxas-que-comem-bébés, reinterpretando "Ná ó mininu ná", ou o re-espiritualiza. Baralha as variantes de Praia e S.Vicente, ou as remistura. Fala inglês aqui e ali, como fazemos habitualmente. Dá conselhos espíritas em versos, a almas que estejam perdidas por aí, ou a si própria. Canta e enfeitiça todos os mestres músicos que a acompanham, que tocam na mesma toada da sua voz que procura o céu. Fervorosa crente.

Sara é portuguesa que fala caboverdiano, ou caboverdiana que sente portuguesa? E que pensarão os avôs desses novos netos?


Soa bem Xinti e para mim Sara é gente de hoje, que nasce aqui, cresce ali, floresce aqui e ali, espalha-se pelo mundo todo. Quem disse que crioulo acabou?

5.6.09

Festa-feira

Constatação: agora todos conhecem Arménio Vieira. Todos são amigos, conhecem-no há mais de quanto tempo, reconhecem-lhe o imenso valor, tiram fotos ao lado dele, pedem autógrafos, opinam e até já me enviaram um blog dedicado inteirinho ao homem, que nego a divulgar, porque duvido que AV tenha autorizado o uso do seu nome assim. Estou para ver a imensa lata das autoridades CV a rasgar os discursos que já conhecemos. Haja paciência!

*

Três vivas ao jornal "A Nação" por ter uma manchete tão justa e corajosa. Três abaixos para os jornais "Expresso das Ilhas" e "A Semana" por fazerem parecer o facto do ano [prémio Camões] uma coisinha banal. Vamos repetir Cesária? Vamos esperar pelas reacções do mundo para sabermos a importância que damos aos nossos?

*

Ouvi na rádio, logo de manhã, opiniões de estudantes universitários sobre o novo Acordo Ortográfico Português e sobre a Língua Caboverdiana…Fiquei sem saber o que pensar: se é grave a maneira como esses adultos se expressam; se é grave a falta de opinião formada sobre os assuntos; se é grave a sua linguagem; se é abominável a ideia de que vão ser os professores da minha filha num futuro próximo. Isto vai uma crise!

*

Sexta-feira. Sabem que peça de teatro, filmes, espectáculos de música ou exposições se passam na cidade? Apetece-me começar a noite com Cultura. De qualquer modo, boa paródia a todos, que isso é garantido.

4.6.09

Nasce um blog...

...nasce uma estrela: Impresons Digital, de Edson Medina

"The world is going Web". Pertencer ao mundo actual significa perceber o que esta frase significa. A web vai ser a nossa forma de estar nos próximos tempos. Vamos estar.

Grande abraço a um homem que já precisava estar na blogosfera, pela dimensão que ele representa e pelas ideias que tem fervendo dentro da cabeça que podem agora encontrar uma grande cratera para irromper.

Greves graves, falsários e pedófilos

Greve de fome é coisa grave. É coisa séria. É coisa de se sensibilizar, quando se trata de grandes causas, a ponto de levar um ser humano a sacrificar o seu corpo, perigando a sua própria existência.

Um cidadão brasileiro, por sinal um grande charlatão, que se deu mal numa das suas falcatruas, resolveu entrar em greve de fome, porque a Justiça caboverdiana, julga ele, não lhe cuida dos direitos! O dito cujo lá foi levado à sua terra, que talvez cuidem melhor dos seus direitos.

Outro inominável (nem todos tem o direito ao título "cidadão"), acusado de PEDOFILIA, gozando da agradabilíssima Justiça caboverdiana, que lhe concede a suspensão da pena, chateado de estar sob termo de residência e identidade, que quer viajar para a sua terra (Senegal), resolveu imitar o gesto!...Este fulaninho tem é sorte de estar numa terra de brandos costumes, que se fosse em outro país já estaria sem os colhões e se calhar sem a vida.

Lata pura!

3.6.09

O meu poeta

(Não sabia a imagem era de quem. João Branco, desculpas)

Para mim já era. Agora é para o mundo: o maior poeta contemporâneo de CV.


Finalmente um grande e tremendo abanão na literatura CV. Finalmente um corte, a bisturi, de maneira na não ficar uma ponta de possibilidade de confundir Arménio Vieira com continuação de alguma coisa que seja. Já ouvi tantas coisas estapafúrdias, do tipo "continuação de Claridosos". Não! Este poeta não é continuação de nada. É, junto com João Vário, José Luís Tavares (curiosamente todos "desalinhados" da intelligentia vigente), uma derrocada nova.

Se calhar agora esses gajos da política, que andam por aí a se posar de poetas, passem a citar versos de AV, em vez dos velhíssimos hinos dos poetas velhos, nossos, consagrados, mas velhos. Duvido no entanto que estejam preparados a repetir o que diz AV. Duvido que estejam preparados para o ouvir. Mas vão seguir os grandes shows de felicitações, como é da praxe e da oportunidade, claro!

Depois de Cesária, é um dos maiores reconhecimentos que a Cultura CV podia receber, vinda do exterior, para não variar. Vales cada euro do prémio, caro caboverdiano, Arménio Vieira.

2.6.09

Blogjoint: Tráficos

Cabo Verde nasceu de tráficos. E continua. Cresce com os tráficos. Verdades duras, mas verdades.

O nosso historial de tráfico começou com o que terá sido um dos maiores crimes da humanidade: a escravatura, na altura um tráfico legal, do ponto de vista de quem o praticava, obviamente. Na actualidade, apesar do tráfico de droga ser vivamente condenado, mundialmente reprovado, de desencadear as mais diversas campanhas, da sensibilização à (algumas) acções concretas, parece é que de facto, nem é tão reprovado isso. Aqui, dentro de casa, sabemos com precisão que: carro x é produto de droga, bem como prédio y, que determinadas cidades tem uma boa parte da sua economia a circular à volta disso, que advogado tal prospera-se a custa disso e uma teia de outros "doutores" lavam essa sujeirada toda. Até mesmo o Estado funciona em prédios "suspeitos". Até o Estado tem deixado este rio de dinheiro entrar pela circulação normal das nossas vidas. Então, é mesmo o tráfico de droga ilegal?

Como diz o brasileiro, fala sério né?!

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29.5.09

MOSF, BONS e MAUS

Ontem aconteceu um acto que vai ser muito importante para a fotografia em CV. A Mostra de Fotografia Contemporânea Caboverdiana (MOSF). Aqui vão as minhas impressões.

MAUS
  • Se há coisa que já começa a ficar tristemente notória é a falta de espaços para as artes visuais, à altura da cidade. O MOSF aconteceu em 3 belíssimos espaços (CMP, IILP e CCF), proporcionou um roteiro pedestre interessante, mas em termos estritamente artísticos, fragmentou a exposição. Precisamos, não de coisa muita, mas de um simples barracão, género esses armazéns dentro da cidade abandonados (zona antiga alfândega), que possa proporcionar largas superfícies de exposição. Não precisa grandes sofisticações; só bom gosto.
  • Não há serviços preparados para as especificidades da coisa artística: casas de impressão, empresas de transporte, fornecimento de material, etc., etc.
  • Sinto falta de uma determinada classe a frequentar as exposições.
  • O adiamento do dia 27 para dia 28 pegou mal. Cascudo Abraão!
  • Ausência de Comunicação Social...é preciso comentar?!

BONS
  • Nada como o colectivismo. Transmite a sensação de classe, corpo, identificação. Dá vontade de trocar ideias, comentar, perguntar. Causa uma invejinha necessária, comparações, competição, desafio. Quem não gosta de ser colectivo, não gosta de progredir.
  • Envolvimento da Câmara. Esteve toda a equipa sempre presente, sorridente, perguntando, interagindo, dando dicas e esbanjando àvontade. Não sei se esse comportamento é genuíno ao não, mas se a equipa camarária baixar em 1 milímetro essa disponibilidade, disposição e entusiasmo, serei o primeiríssimo a retirar os parabéns que neste momento têm direito: PARABÉNS.
  • Colegas, fotógrafos, quase todos amadores, nós, francamente de bom espírito de uns em relação a outros. Bom clima, boas colaborações a adivinhar-se no futuro.
  • Empenho e paixão que Abraão Vicente meteu no evento. Correu, ouviu, sofreu, errou, manteve a calma, desdobrou-se e abriu a cena. Assumiu uma função que já começamos a assumir sem complexos, na falta de profissional para isso: curadoria de exposição. Foste cidadão a valer man!
Long live to MOSF!

28.5.09

Visão de furo.

Hoje acordei sem uma gota d'água no depósito! Reparem que disse "no depósito", porque na rede já há dias que não vem. A frase do Premier a prometer água na cidade da Praia 24h/dia, no encerramento do debate sobre, imaginem, "Emprego e Formação Profissional", ecoa-me nos ouvidos. Hoje, enquanto obrava de manhã, ao mesmo tempo que fazia contas da quantidade de água que tenho engarrafada, necessária para levar a coisa para o esgoto, fez-me luz sobre a relação da água, emprego e formação profissional. É assim:

Hoje vou ter que procurar água. Começa a economia a andar. Se houver uma falta duradoira e persistente de água na rede, há um estímulo ao investimento em camiões, conhecidos como "auto-tanques", característicos nas nossas cidades, o que, por efeito multiplicador, estimula outros serviços, como lavadores de carros, pedreiros que consertam os passeios que esses camiões danificam, puxadores da corda que arranca o motor (barulhento) das bombas d'água …enfim. Depois, se a coisa pegar, o Estado se sentirá na obrigação de abrir cursos profissionais de pintores, para escrever frases nos camiões, artesãos, que fazem santinhos e amuletos para os condutores, etc.
Digam-me se isto não é visão?!

O facto de isto me ocorrer enquanto obrava é pura coincidência.

África mãe, Europa madrasta

Praia vai reactivar a célula da CEDEAO, como quem diz, reactivamos a nossa célula africana...por condição da parceria com a Europa. Qual será o efeito disso nos nossos genes?