6.7.09

Obrigado gente!

Se tem coisa que é especial em cada abertura de exposição é sentir a presença de amigos. E que bom é tê-los! Obrigado a todos pela presença, pelas palavras, pelos comentários, pelos reparos.

Obrigado Samira, por seres tão profissional, por não me largares um segundo. Obrigado Buddha pela paixão que te entregaste ao projecto. E a todos que meteram um dedinho para que a coisa funcionasse.

Marcou-me em especial a presença da Sra Maria Cândida da Luz. Notei a sua chegada, a incrível elegância, chamou-me, confessou-me as suas dificuldades em andar, mas esforçou-se, saiu de casa e foi ver o meu trabalho, porque não quer perder as minhas realizações...Minha senhora, só não chorei porque macho crioulo não chora. Tocou-me.

Por fim a minha família que aí esteve em peso. Ontem, no dia da abertura da minha UTOPIA, senti felicidade!

Obrigado gente!

2.7.09

Expo

UTOPIA
Instalação aúdio e visual

Fundação Amilcar Cabral, Plateau (frente Procuradoria Geral da República)
5 a 12 de Julho 2009 - Abertura Domingo, 5 de Julho, 18h


Ajudem a divulgar, please.

No site a seguir indicado estão mais detalhes sobre a expo: http://biandautopia.blogspot.com

Mais informações sobre a programação cultural da Fundação Amilcar Cabral aqui: http://blogfac.wordpress.com/

1.7.09

Cena fixe

NOTAS DO PRIMEIRO MÓDULO (relações arte, espaço e desenvolvimento local)
As cidades ditas do 3ºmundo desenvolveram fenómenos urbanos complexos de ocupação do território, para a habitação e para o comércio. Na cidade da Praia é bem típico os bairros clandestinos (a maioria da cidade, diga-se). Numa abordagem clássica estes fenómenos são vistos de forma negativa e a tendência é adopção de políticas de "correcção", ou seja destruição, invisibilização ou outra estratégia qualquer para "colmatar" esses "males". Os preconceitos em relação a tais fenómenos levam a que muitas vezes não se repare que, as pessoas, na busca desesperada de soluções de vida, acabam por criar soluções inovadoras até. Assim, uma outra visão seria perceber a lógica interna desses fenómenos, estudá-los, enquadrá-los e promover uma melhoria das cidades a partir disso.

Onde entra a arte? Quando feita com sentido de intervenção, a arte cumpre um papel que os políticos e os cientistas, por imposição de tempo, agenda e ditames metodológicos, não cumprem, que é o de ousar, polemizar e romper barreiras de abordagens. O artista ao jogar com os sistemas de valores estabelecidos, invertendo-se, pervertendo-os, questionando-os e muitas vezes de forma "chocante", destabiliza os status quo, causa reflexão e pode provocar mudanças de paradigmas quando a sua intervenção causar uma verdadeira "descoberta" de novos sentidos.

Alguma coisa lembrou-me Praia.Mov...pelo menos na intenção.

30.6.09

Eco-blog

Tenho um blog mais ecológico, dizem. Porquê? Porque está de preto e ecrãs, quaisquer que sejam, de computadores, TV, cinema, etc, quanto mais pretos menos energia gastam, mais eco-friends portanto. E nisso acabei por descobrir uma parábola positiva do preto, para contrapor às negativas, do tipo: "a situação tá preta". Agora, de toda a vez que sentir piadinhas do preto, vou dizer: "man, preto é ecológico".

Entretanto ontem (dia 29) tinha aqui a minha zona de trabalho (Wall Street de Cabo Verde) uma poluição sonora, do mais irritante que há: não tivemos luz o dia todo; era só motores por todo o lado; uns maiores, no caso das empresas maiores, outros menorzinhos, mas danados de barulhentos, das empresas mais pequenas. Para além do cheiro a combustível e a cara amolgada das pessoas de frustração e irritação.

No coração da cidade da Praia (zona do Taiti) existe, quiça, o maior ferro-velho do país. É uma área como um campo de futebol, de tudo o que é sucata que se possa imaginar, de máquinas industriais desactivadas a frigorícos velhos. E para que não se esqueça: continua a desaguar no mar da Gamboa, um líquido viscosos e putrefante, que resulta da produção das fábricas que ficam ali junto de Lém-Ferreira, também no coração da cidade.

Sem contar com as porcarias de construção (que me desculpem, a palavra "porcaria" ocorre-me muitas vezes, para não dizer "merda") que vão ocupando a cidade de uma forma sufocante. Confessou-me um estrangeiro: "não gosto da Praia; é uma cidade de blocos de cimento e não de gente". Discordamos?

Mas no meio disso, o meu consolo é que o meu blog é ecológico...embora esteja a preto porque, puro e simplesmente, apetece-me.

29.6.09

El rei, bobos da corte e hermafroditas

Para quem não sabe, Cabo Verde é o país onde as coisas erradas são tão resistentes que, com tempo, passam a ser direitas. Aqui existe um tipo de tortura, fina, inodora, incolora, inaudível, tão persistente no entanto, que vence todas a resistências.

O Min.Cultura acha que as críticas são uma expressão de cobiça ao seu lugar, demonstrando que preza sobretudo o lugar, o trono, o prestígio do lugar. Os bobos fazem côro, mascarados.

Em outras partes, países civilizados, ao mínimo deslize dos gestores públicos, vem o povo pedir explicações. Lembro-me de quando a Igreja Universal do Reino de Deus, esta porcaria, quis comprar um teatro antigo e repleto de tradição, de como foi comovente ver artistas unidos, senhoras e senhores, de cabelo branco, provavelmente pais e avôs, sairam às ruas para protestar.

Aqui, país de hermafroditas, importantes agentes culturais acham que os críticos convictos e inamovíveis são enfants terribles (traduzido: moleques), que gostam de brincar com sangue de político!...Por isso armam-se em defensores del rei. Aqui, as tapinhas seguem-se beijinhos, mantendo el rei em sentido, mas não zangado.

Deitaste tudo a perder, mai dier frend. Cansaste. Com isto resta-me como solução tomar um anti-gastrite de cada vez que se realiza um culto de Igreja Maná, uma seita estúpida, em pleno centro cultural, ou de cada vez que um monumento vem abaixo para ceder lugar a uma outra insanidade qualquer. Calo-me e aguardo que se consiga tocar os porcos e as cabras do sítio Património da Humanidade. Talvez tenhas uma varinha de enxotar e queiras ajudar.

26.6.09

Início de uma nova Cidade Velha?

Grande vitória, sem dúvida!

Grande lobbying, grande título, grande voto de confiança. Agora muita coisa terá que mudar, para que toda a confiança depositada em nós não seja defraudada. Agora o sítio terá que merecer o seu título. É preciso corrigir umas tantas asneiras que já foram feitas, tais como as construções em pleno sítio arqueológico e o saque dos espólios. É preciso um organização conveniente do espaço, de modo a proporcionar aos visitantes uma boa experiência, que de momento não é o caso. Sem a componente humana a coisa não vai funcionar, ou seja, o prestígio que o local venha a ganhar tem que se reflectir na melhoria das condições de vida das pessoas.

Atenção à guerrilha de protagonismo entre o Governo Central e o Local, para não estragarem a festa. Atenção aos especuladores e demais burlões, nacionais e internacionais.

E, já agora, podíamos aproveitar para falar de um programa de ensino da História, que nos ensinasse, a TODOS, como tivemos/temos uma grande importância no mundo.

Hoje somos bazofos sem manha!

25.6.09

Vai rolar!

Fundação Amilcar Cabral
5 a 12 de Julho - 10h00 às 21h00


A utopia que foi, a utopia que é, sonhar a liberdade e lutar.

Mas conseguimos?
Continuamos a lutar ou continuamos a sonhar?
A utopia é. E é preciso ser sonhada todos os dias, em cada gesto, em cada actividade, em cada palavra.
Porque a liberdade é como o vento: voa
(Nota do autor)

"UTOPIA de César Schofield Cardoso é um projecto site specific no qual o autor propõe uma reflexão sobre "liberdade alcançada, pela luta, pelo sacrifício e pela determinação de uma geração".

Através de uma instalação áudio e visual composta por projecções de filmes 16mm, vídeo-slides e multimédia o autor respiga no passado imagens presentes. O resultado é uma abordagem intimista sobre a Independência de Cabo Verde enquanto o lugar-comum na construção da nossa identidade."
(Nota da Produção - Samira Pereira)


23.6.09

Premonições

O estado das coisas por cá é misto, entre calmaria e perturbações, mais ou menos graves. O céu está parcialmente nublado, ocorrendo trovoadas em forma de vozes abafadas, mas raios não acontecem. O vento sopra com a mesma intensidade da direita e da esquerda, causando turbilhões ao centro, o que desloca pessoas menos firmes de um lado para o outro. As ondas oscilam entre pequenas vagas de contestação e bajulações normais. O sol brilha para alguns e para outros não.

Mas tempestades espreitam. O céu promete enublar-se fortemente, causando fortes trovoadas e raios que arrancarão raízes do chão. Furacões baralharão tudo e as ondas vão aumentar. Aconselha -se aos fracos de espírito a ficarem em casa de portas trancadas.

22.6.09

Circular

Somos os tais brandos. Aqui ninguém está para maçar ninguém, visto que não há para onde ir e fuga possível. Aqui não se bate em ceguinho algum, mesmo o da pior espécie.

Somos os tais das ilhas. Aqui as leis, humanas ou não, são todas distorcidas pelo sol, que demora a andar de uma ponta à outra do dia. Aqui nada de excessivo acontece, excepto uma lenta corrosão.

Aqui pai e filho matam-se, irmão trai irmão, vizinho ataca vizinho, pessoas comem-se vorazmente, mas os dentes só mostram sorrisos tolos. Aqui é gente de simpatia e morna.

Aqui os caminhos são círculos porque a linha recta ultrapassa os limites do permitido.

19.6.09

País de passes de mágica

Pessoal, assim não dá!

Manuel Veiga em entrevista ao jornal "A Nação" faz um reconhecimento público de incapacidade de liderança; faz insinuações obscuras sobre os críticos ao seu reinado; tira o lixo da sua casa e deita na casa dos outros (ao atirar a responsabilidade política do falhanço do debate sobre o ALUPEC aos outros); continua a não ser MINIMAMENTE simpático para os artistas, agentes e personalidades que mais fazem mexer as coisas nesta de terra; não tem um ÚNICO programa que se possa orgulhar; reza para que Cidade Velha seja elevada a Património da Humanidade, senão, se fosse eu, daria um tiro na cabeça; enquanto isso inúmeros outros patrimónios são pilhados; o Palácio da Cultura cai aos pedaços; o Centro Cultural do Mindelo é cedido a seitas diabólicas; não tem uma palavra sequer em relação à arte; …enfim, o que se pode resumir como sendo uma entrevista do FRACASSO.

Perante tudo isso o João Branco acha que deve cobrir o homem de “educado”, “simpático”, “humilde”, concordar com isto e mais aquilo. A minha frase preferida: “O seu discurso em defesa da língua cabo-verdiana é claro, directo e não deixa margem para muitas dúvidas.” …Pois, não deixa margens para dúvidas; cria oceanos de dúvidas. Se há debate que está confuso neste país é este do ALUPEC e da oficialização do LCV. Ele (MV) pode ser um ás da linguística, mas o facto é que, politicamente, e estamos a falar do MINISTRO DA CULTURA, ou seja com responsabilidade políticas nacionais que podem comprometer uma geração inteira, conseguiu...um retrocesso no debate da língua.

Continue assim João, que o homem vai se amar mais ainda e vamos ter que o aturar mais ainda. É preciso paciência!

18.6.09

Situação crísica

Reverendíssimo Primeiro-Ministro, em nome da associação "Pseudos da Construção", venho lhe dirigir um mui solícito pedido. Como sabe vem aí a crise, mas nós, na nossa insignificante opinião, achamos que, enquanto país livre, soberano e independente, não temos nada a ver com a crise global dos outros. O pior, Excelência, é que eles, os outros, tinham compromissos e como estão cheios de crise e nós não, num acto de puro revanchismo imperialista não estão cumprindo com a sua parte, deixando-nos em má situação. Estamos sem investidores, sem clientes, com as obras abandonadas aos cagadores e com contas por pagar.

Eu por exemplo Honorável, tenho uma modesta casa triplex, com a totalidade do recheio importado, para além do meu carro Ziun X25 V8 3000cc que bebe um bidon de gasolina só no arranque, uma outra casita de campo no Sal e outra ainda nos vales do Paúl. Ainda há os salários dos trabalhadores e demais encargos. E para piorar, temos que suportar os impostos, os juros e as taxas alfandegárias. Não dá!

Perante tão extremada situação, contando já com a sua sensibilidade para os negócios, prometendo-lhe que uma mão lava a outra, pedimos um subsídio do género desses que dão para barcos. Agradecíamos que o já garantido apoio financeiro fosse dinheiro fresco e não em forma de incentivos fiscais e outras formas. Dinheiro fresco e não com frescura. Ou pelo menos se pudesse dar um toque na Ministra das Finanças, que ela não seja tão rigorosamente chata a gerir as contas e colaborasse. Ou que proibisse toda a forma de sentimento anti-empresas que exista na Administração Pública.

17.6.09

(Im)presidencialíssima

Isaura Gomes se mostra disponível às presindenciais. "É a primeira mulher em CV a tomar tal atitude. Chapéu!", comentou alguém. "É uma senhora de armas", comentou outro. Vos digo uma coisa: raios de argumentos para justificar um candidato, atentem bem no peso desta figura, Presidente da República!

Isaura Gomes precisa limar as garras, aparar as palavras, medir os gestos, avaliar as atitudes, talvez praticar um pouco de yoga...minha gente, estamos a falar de Presidente da República!

Porque é que tenho a sensação que este cargo, de repente, ficou a parecer ao alcance de todos?!

(Im)presidenciáveis

"Carlos Veiga e Onésimo Silveira em defesa do autarca português Isaltino Morais (Visãonews)"

...Esses são os nossos (im)presidenciáveis. Oferecem terrenos a políticos corruptos e ainda tem a lata de, publicamente, os defender. Amigo de porco, porquinho é.

16.6.09

Grandes felinos com unhas de manicure

Quase vibrei com Corsino Tolentino em "Visão Global" no Domingo, dia 14. É que é tão raro ouvir os nossos grandes homens, como ele é, capacitado, experiente, andado e com - poças pá! - autoridade para dizer das boas.

O homem contestou a forma como os portugueses falam das suas maravilhas pelo mundo, esquecendo-se que essas maravilhas, que hoje são belas peças de arquitectura, outrora tiveram uma gigantesca dimensão humana e não necessariamente no bom sentido. O forte da Cidade Velha, por exemplo. Pensemos na quantidade de mão-de-obra escrava que foi necessária para erigir tal maravilha; pensemos também em nome do quê que essa maravilha foi erigida; pensemos na sociedade humana dessa época; mas pensemos também que, essa maravilha é nossa, por direito de sangue e suor.

O homem fez uma suave e delicada crítica à ausência de planificação cultural, numa cidade como Praia. A tal agenda cultural. O tal alinhamento das programações entre os produtores. O tal marketing.

Engraçado é que homens como Corsino Tolentino moldaram a minha forma de ser "veemente". Hoje os vejo de unhas aparadas. Mas, tendo em conta a irritante abstinência dos nossos graúdos, esses pequenos rugidos caem-me francamente bem. Retemperam-me.