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14.1.10

KRIOL JAZZ!

Uma excelente notícia a contrabalançar as más. O possível cartaz do festival já tá publicado aqui, no lateral direito ->

10.7.09

House, Lounge, Trip-Hop, Hip-Hop, Techno

Música electrónica, para ser mais sintético. Cultura urbana. O diabo da "Cultura erudita". Entretanto uma realidade invasiva nas cidades. A cultura popular invade sempre a cultura erudita, até porque a cultura erudita é vazia de conteúdo em si, dependendo sempre de manifestações concretas, da sociedade, do povo.

Em cidades "cultura popular" significa discotecas, bairros, ghetos, juventude marginalizada, injustiça social, violência, mensagens de amor e esperança. Em CV ainda temos outras especialidades como o zouk, o funaná, que depois de misturados com os outros dão origem a uma série de sonoridades: funaná-funk, zouk-love, etc. Nas cidades da Praia e Mindelo já existem movimentos semi-organizados de Hip-Hop. As rádios fazem broadcasting constante desses sons.

Tenho dito: a literatura e a música de futuro em CV estão nas ruas. É só pararmos de chamar a isso tudo de lixo e começarmos a pensar que, não tem a "qualidade de erudição", mas tem a enorme força da verdade e da realidade. Õ caminho da erudição é: aceitação, escuta, estudo, experimentação, reformulação e produção.

Penso nessas "malcriações" enquanto ouço um disco de um projecto chamado "Frikyiwa", uma espécie de Gotan Project para África, onde se junta a mais genuína música tradicional de alguns países africanos (é uma ofensa dizer "música tradicional africana", porque existem centenas diferentes) e house music. O resultado é coisa séria...e muito agradável.

9.7.09

Os meus Brazucas do momento


Revisitando esta maravilha de colaboração entre Lenine (voz, guitarras) e Marcos Suzano (percursão, especialista em pandeiro). Dois homens e um mar de som.


Arismar do Espírito Santo, minha mais recente descoberta no jazz brazuca. Multi-instrumentista. Som cheio, frenético, rock, funk e samba. Uma viagem.


Sou cada vez mais fã desse camarada aí. Velhos hits, roupa nova, mesmo feeling, mesmo beat, músicos da pesada. Na versão DVD vem o super, magnífico, incrível, grandioso e inimitável Gonzalo Rubalcaba, provalvelmente um dos top 5 pianistas de jazz do mundo.

E Brasil é provavelmente um dos top 3 países em termos de criatividade musical e produção, no mundo.

12.6.09

Orgasmo colectivo

Imagem: Pedro Moita

É isso aí: orgasmo colectivo! Foi o que Sara Tavares provocou no show do dia 10.

Que mulher! Que artista! Como ela conduz na perfeição a sua audiência e a sua banda! Ela foi o centro do universo daquela noite, naquele lugar.

Esta mulher é grande, vai ficar ainda maior e as pessoas a amam, de coração.

10.6.09

Mantenha-te louca Danae

Imagem: http://www.myspace.com/danaexdanae

As coisas baixaram de nível preocupantemente de "Condição de Louco" para este "Cafuca", avaliação de fã (eu).

Que aconteceu ao texto incrivelmente forte de sovacos, merda, porra, mamilo e tirar a cuequinha de Condição de Louco? Que aconteceu à tua poesia, extremamente pessoal e sentida? Que te deu para fazer agora essa poesia, repisadíssima de pescador e agricultor, de chuva e ondinhas do mar? Primeiro choque.

Que aconteceu à soberba orquestração de Condição de Louco? Ao rock, ao funky, ao groove? Que aconteceu com o óptimo baterista, que foi substituído pela irritante percussão de Cafuca? Os outros músicos demitiram-se todos ou foram demitidos? Cafuca traz 10% de música de Condição de Louco.

Danae, fala-te um fã, que não o vai deixar de ser pelo facto de ter comprado gato por lebre: Condição de Louco deu o tom, marcou triunfalmente o teu debut e, para mim, todas as subsequências da tua carreira deviam ter em atenção a isso, porque quem te procura agora (pelo menos eu) tem esta tua Condição como referência. Cafuca dói de tanta falta de imaginação.

8.6.09

Xintidu di Sara Tavares

Soa-me a som do céu e do sol juntos, o álbum "Xinti"de Sara Tavares. Xinti é música para ser ouvida num Domingo de manhã, ou qualquer outra hora que se pareça com uma manhã de Domingo, quando ainda a cidade não é tomada de ruídos de motores de carros e os seus condutores ainda dormem em vez de serem estúpidos em forma de buzinas.

Sara faz orações enquanto um casal de pardais são levianos na minha varanda. Domingo de manhã. Sara dessacraliza o intocável canto anti-bruxas-que-comem-bébés, reinterpretando "Ná ó mininu ná", ou o re-espiritualiza. Baralha as variantes de Praia e S.Vicente, ou as remistura. Fala inglês aqui e ali, como fazemos habitualmente. Dá conselhos espíritas em versos, a almas que estejam perdidas por aí, ou a si própria. Canta e enfeitiça todos os mestres músicos que a acompanham, que tocam na mesma toada da sua voz que procura o céu. Fervorosa crente.

Sara é portuguesa que fala caboverdiano, ou caboverdiana que sente portuguesa? E que pensarão os avôs desses novos netos?


Soa bem Xinti e para mim Sara é gente de hoje, que nasce aqui, cresce ali, floresce aqui e ali, espalha-se pelo mundo todo. Quem disse que crioulo acabou?