Como disse João Domingos, Presidente da Câmara Municipal do Tarrafal: "Há aqui muitos dizeres"
30.4.09
Que tal um imposto sobre asneiras?
Como disse João Domingos, Presidente da Câmara Municipal do Tarrafal: "Há aqui muitos dizeres"
8.4.09
Post KriolJazz II
É excitante a ideia de um festival, tendo a cidade da Praia como centro. Para além do espectáculo da arte universal que é o jazz, pode mobilizar estudiosos e intelectuais das mais diversas áreas das ciências humanas, em torno de um conceito que não se encontra fechado: a crioulidade. Pelo contrário, é um conceito que sofre do peso da herança das suas culturas de origem. A velha questão "mais africanos ou mais europeus"; e que tal, nem uma coisa, nem outra; crioulos. Mas o que é isso exactamente?
E mais uma vez, a cidade da Praia tem que aproveitar essas oportunidades para se constituir como uma cidade importante no mundo, do ponto de vista cultural, político e económico.
7.4.09
Post KriolJazz - adendun
Post KriolJazz
Façamos um benchmarking económico disso. Uma estratégia para a Economia da Cultura seria mostrar aos financiadores, que o sponsoring da cultural não é um acto filantrópico, mas sim um investimento. Estimulemos a economia pela cultura, mas tenhamos em conta que são duas actividades orientadas a valores diferentes. Necessitam uma da outra e podem até ser complementares, mas sem que nenhuma imponha a sua lógica à outra. O conceito “indústria de entretenimento cultural” é uma barbárie. Casinos, discotecas, hula-hula, que no nosso caso é o batuque de abanar o rabo para inglês ver, músicos a animar o jantar dos turistas, espectáculos de diversão e afins, não tem nada a ver com Cultura.
Não vou cansar de repetir isso. O Min.Cultura e o Primeiro-Ministro, no sector cultural, autistamente, estão a bater com a cabeça na parede errada. Vão fazer um buraco e não vão encontrar nada do outro lado.
6.4.09
KriolJazz: Mário Lúcio e banda
Começou assim o segundo dia do festival: Mário Lúcio com um agrupamento surpreendente. Malandragem velha e malandragem nova, fazendo um som, no mínimo, de busca.

Uma nota especial nota para Dani (baixo) e Sori (guitarra) pelo talento que esbanjam. Sori é para mim um dos maiores artistas CV da sua geração.
KriolJazz: Lenine
Jorge Reyes e Banda (e que banda!)
Se já era um admirador absoluto da música cubana, depois de viver esta noite fiquei um religioso da música cubana. São simplesmente dos maiores músicos do MUNDO. Uma das características que marcam as suas bandas é a a orquestração de elevedíssima qualidade. Os elementos da banda são todos mestres, professores e exímios executantes, mas o que caracteriza a banda é o show de colectivo: cada coisa no seu lugar; resultado: música divinal. Foi o meu top do festival.




4.4.09
KriolJazz: Tcheka
KrioJazz: Meddy Gerville
KrioJazz: Ba Cissoko
Esses camaradas fazem uma coisas inédita: metem efeitos, concebidos para guitarras eléctricas, nos seus koras (o instrumento da imagem). Esses camaradas fazem um som denso e energético, mistura de tradicional + rock + funky. Espectáculo puro!
Este camarada aqui (Sékou Kouyaté) é um tornado! Vê-lo tocar e dançar no palco, mexeu até com as pessoas mais conservadores que estavam ali
É de pedir por mais!17.10.08
ALUPEC BOYZ!!
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA UH NHA MAI! KELI STA DIMAS!! Hiena ta mata algen!Esta gajo, o Hiena, não pára de surpreender! O sentido da oportunidade, os cartoons sempre dentro do contexto...desengane-se quem pensar que o gajo faz chachada; ele trabalha com muito sentido de comunicação. E com elevado sentido de humor. Por isso uma admiração de Bianda, directamente para este espectacular blog: ojornaldahiena.wordpress.com
15.10.08
Digi&Tal
"Em 2018 as Feiras do Livro vão ser feitas de computadores? Talvez não, mas na Feira do Livro de Frankfurt discute-se o livro digital, ou a eventualidade de dentro de uma década o mercado dos livros estar invertido. Numa sondagem feita aos editores da feira, cerca de 40 por cento acredita que daqui a dez anos vão ser vendidos mais livros digitais do que a versão em papel impresso. " in, Público online.
A verdade é que o mundo se digitaliza a toda a força e não há nada a fazer com isso. A arte sedigitaliza, os serviços se digitalizam, as Comunicações se digitalizam e até as relações humanas se digitalizam: eu tenho bons amigos virtuais, ou seja, não nos conhecemos pessoalmente e já nos identificamos em isso e mais aquilo.
O digital vai dar que falar e eu estarei à espreitar, porque para além de gostar de umas coisas tradicionais, adoro a tecnologia...quando vem com amor, é claro.
19.9.08
A propósito de BLUE
Com que então agora a Biblioteca Nacional - reparem bem na opulência do título: BIBLIOTECA NACIONAL - é posto de venda da CVMóvel? Quer dizer, tentaram profanar o Palácio da Cultura com um posto de pagamento da Electra e, depois de muitos protestos, desistiram da ideia, mas não desistiram da atitude de profanar tudo o que é lugar da Cultura. Que país! Depois querem que eu não seja "perturbadoramente negativo"???
Agora quero saber: quem foi o interessante que aprovou uma coisa dessas? Quem me perguntou a mim, cidadão, se acho isso interessante ou não? Qual é o objectivo? Ganhar umas massas para comprar detergente para lavar o chão da Biblioteca?
Sr.Ministro (já tinha prometido à minha pessoa que não falaria de si), Sr. Director do Património Cultural (existe?), Sr. Director da Biblioteca Nacional, os senhores estão cada vez mais "criativos".
12.9.08
Arte na cidade!
Isto é que é boa notícia!! Na falta de disposição para escrever, vou dando as notícias. Já agora, uma satisfação aos que reclamam por posts: estou down!! Estou desanimado! O centro comercial da Quebra Canela vai ser mesmo construído, perante o silêncio de toda a gente, Praienses de gema ou não. O Cachito morreu mesmo e vai ser entregue a uns pacóvios para armar um comércio de detergente e lixívia. Não posso! Esta cidade está a acabar comigo espiritualmente. Por isso anda em retiro a ver o que penso, se mando à merda ou se me torno monge. Já rapei o cabelo. Nos próximos dias decido o que faço a seguir.4.9.08
Digno de uma cidade
Vai acontecer hoje e amanhã (4 e 5 de Setembro) uma daquelas coisas que acontecem muito raríssimas vezes nesta cidade: espectáculo de qualidade. Um homem, uma mulher e um frigorífico, uma obra do teatro, escrita por Mário Lúcio (quantos dramaturgos caboverdianos é que conhecem?), que tem feito um trabalho notável para o teatro, não só pela escrita, mas também pela música. A encenação é do maior encenador caboverdiano da actualidade (e digo isto com emoção, com parcialidade, injustamente, sem rigor e sem necessidade de me justificar): João Paulo Brito. Olha ó Dom Manuel Veiga: largue da mão esta estória de fazer peditório para trazer um barco a CV e pague a este grande valor da arte, para que ele não tenha necessidade de trabalhar num escritório, para que ele implemente teatro de qualidade cá no burgo. Fazendo isso o Sr já podia dormir o resto do seu mandato.
As interpretações (que seria do teatro sem actores? Digo, a-c-t-o-r-e-s! Não sei se me entendem?): Ela, Raquel Monteiro, é mãe de filho bébé, trabalhadora, esposa de executivo, uma mulher com idade respeitável, mas vê-la num palco a esbanjar talento faz-me acreditar que ainda há gente com alma no mundo. Ele, Valdir Brito, é um GRANDE talento; desses actores que encarnam um personagem, que ficamos a pensar que ele, na realidade, é assim mesmo. Enfim, dupla de peso. O facto desses 2 actores terem seguido um curso de 1 ano com João Paulo Brito terá algo a ver?
A equipa (que seria do teatro sem os seus invisíveis?): Bety Fernandes, figurinos e direcção de movimentos...não me canso de espantar com a Bety dos Raiz di Polon; ela faz tudo, com infindável amor. Paulo Silva, desenho de luz. Manu Preto, cenografia. José Pedro Bettencourt. É assim: sabem desses indivíduos que fazem, literalmente, TUDO? Bettencourt é desses tipos; ele tem sido os andaimes, as redes de segurança, a chave-mestra, as vigas e a fundação desse grupinho que tem feito coisa boa no teatro na Praia. Dulce Sequeira, direcção de cena. Pessoal, no dia em que acharem que um palco está perfeito (tudo está no lugar, tudo corre na perfeição, ou não) lembrem-se que esta função (direcção de cena) é determinante. César Schofield Cardoso, euzinho, fiz a foto, o cartaz,o programa e estou mortificado por não ter participado do projecto desde o início, indo todos os dias aos ensaios.
ADORO TEATRO!!!
MINDELACT
...Um dia vou escrever um livro só sobre o Mindelact. Fico sempre sem palavras quando quero me referir a este festival, que é o maior evento artístico do país. O Mindelact transformou definitivamente o teatro em CV e não só: por arrasto, quando desenvole uma arte, desenvolvem 2 ou 3. No caso do teatro e do cinema isso é particularmente verdade, porque são artes congregadoras. Para que existam é preciso ter Literatura, Interpretação, Expressão Corporal, Música, Artes-Plásticas, Artes Gráficas...enfim. Sem falar do desenvolvimento de áreas técnicas dum espectáculo: sonoplastia, iluminação, cenografia, etc.Os grandes nomes do teatro CV da actualidade são todos frutos do Mindelact e da escola de teatro do CCP do Mindelo e do seu mentor e professor João Branco. Meus destaques: João Paulo Brito, um dos maiores actores CV, que iniciou carreira na encenação, que agora não sei se será melhor actor ou melhor encenador. Bom, para o desenvolvimento do teatro, eu prefiro que ele seja encenador, que é um perfil mais difícil de ser encontrado, com qualidade. Herlandson Duarte, Kutch, director e encenador do grupo Solaris. Este homem é uma força da natureza! Gostem ou não gostem.
Este ano estarei 2 diazinhos somente no festival. Raio de trabalho oblige. Mas já terei a benção dos deuses das do teatro e das artes. Terei o banho de vida e partilha, que é aquele ambiente (indiscritível) do festival.
Ganda cena!
20.8.08
To be white
É verdade que tencionava fazer Bianda ficar branquinho, mas, ao passar por um dos meus espaços espirituais na cidade da Praia, Quebra-Canela, deparei com uma situação que me acinzentou o espírito: vai ser erguido um centro comercial em cima do mar!!!! Deuses!!!! Que se passa com este povo? Que é feito do nosso bom-senso? E os doutos engenheiros, doutores, intelectuais? E a LEGALIDADE? Portanto fellows, a coisa não está branca.
Mas há outras razões. Razões técnicas. Quem lida com imagem sabe que, um dos maiores desafios de composição que existe é trabalhar com o branco. Branco é uma cor complicada. Aliás, é ausência total de côr. É vazio. É espaço total. É delicadeza. É ar. Sabem, Miró é, para mim, um dos maiores mestres da imagem, porque sabia (depois de trabalhar décadas!) como meter um ponto num espaço vazio, nada mais, e fazer um quadro inteiro com esse pontinho. Há uma montanha de teoria por trás disso: equilíbrio, balanço, volume, peso, etc. Ora, não estou em tempo de filosofia. A versão do branco ficará para uma outra altura.
Visitantes, aguentem esta minha fase cinzenta. E reclamem sempre!
6.8.08
Black inside
Os suecos já foram vikings. Hoje são europeus “normais”, mas o que terá ficado incrustado de viking no código genético (cultural) dos suecos? This is the point: heritage.
Nós temos de herança negra:
- O Carnaval, de forma indirecta, claro, porque partiu do continente, foi parar ao Brasil e outros tantos países (Colômbia, Caraíbas, etc.) e refluiu para Cabo Verde. Isso na variante de SV. Porque desconfio que a Tabanka de Santiago terá influências do Carnaval original, carregado de simbologia sócio-cultural.
- A Tabanka. Não conheço ritual mais rico em CV. Que outra manifestação se organiza como a Tabanka? Com as suas temporadas, as suas hierarquias, as suas funções, os seus reis e as outras personagens? Que outra manifestação tem mais sincretismo que a Tabanka em CV?
- O Sanjon. Embora do ponto de vista religioso esteja enquadrado no ciclo das festas juninas cristãs (S.João, S.António, S.Pedro), o negro meteu aí o pé (ou a bunda, neste caso), com o Kolá. Não me parece muito de cristão aquele bater de coisa-na-coisa.
- A música. Batuque, Finanson, Funaná…Morna. Morna não? Há controvérsias.
- A Língua. O nosso lexical é maioritariamente português, mas a estrutura do Caboverdiano é da matriz das línguas africanas que a compõem.
- A ginga, a dança, o sorriso, a malandragem e outras coisas mais.
Sei que já começo a soar a racista. Mas, é assim: a nossa componente europeia está aí e é “oficial”; a componente africana precisa de trabalho de reabilitação, por isso sou africanista, por militância, porque na verdade acredito na Cultural Universal. Ora vejam lá: há europeu mais africano que português? Ou seja, latu sensu, as Culturas se interpenetram, se cruzam e se fortificam. Mas conhecer a história e a génese é fundamental.
4.8.08
To be African or not to be
Imagem: Paramount Photographers Um dos preconceitos básicos, que é preciso combater é que, quando falamos de África, falamos de preto e branco. Muitos dizem que este assunto tem pendor racial, que também é outro preconceito a abater. São preconceitos de ligeireza de abordagem. A questão de África e Africanidade tem a ver (sempre na minha modesta opinião) com a valorização das Culturas Africanas e com o sentimento de ser, ou não, “Africano”. O que observo, e do que sei de investigar o tema, é que somos africanos, e gostamos, mas quando se trata de assumir esta “condição”, a coisa muda de figura; entramos num rol de justificativas e alternativas.
Mas ser africano é comer com as mãos e vestir-se com bubus? O senegalês que não tem esses comportamentos deixa de ser africano? Não, definitivamente. No nosso caso, assumir a Africanidade é assumir uma grande herança, maioritária. Não passa nunca por esquecer que temos tanta coisa europeia…americana, asiática…
A questão é que, enquanto não resolvermos esta questão, não vamos explorar este stock cultural magnífico (vejam o que aconteceu ao batuque quando saiu à rua, ou seja, Pantera, Tcheka, Princisito…) e vamos ter sempre este bloqueio em nos relacionar com outros países (e seus nativos) de África; sejam ele miseráveis ou não. Felizmente que o tempo cura tudo.
29.7.08
To be Mestiço or not to be
Imagem: Jason Florio"Quanto à teoria mestiçagem há muito que se lhe diga. Se partirmos da definição da mestiçagem como uma mistura (genética ou cultural) de povos, então diríamos que Cabo Verde é 100% mestiço, África é 100% mestiça, Europa é 100% mestiça, etc., etc. O que quero dizer é que nunca existiu uma sociedade monocultural, todos os povos, as línguas, as produções humanas como a música derivaram de empréstimos, de misturas, enfim… pureza e monoculturalidade é uma miragem. Vejamos o caso português: os povos que deram origem ao que hoje concebemos como o povo português formam entre muitos outros, os povos indo-europeus, pro-celticas, celtas, visigodos, suevos, alanos, mouros, sem esquecer que no século XVI 10% da população lisboeta era constituída por negros africanos, cujas primeiras remessas (negros guineenses) datam da segunda metade do século XV (algo bem documentado e que muitos teimam em não fazer menção). A título de curiosidade, já no final do século XIX os melhores cantores de fado em Lisboa eram negros e os ditos “mulatos”.
Quero fazer uma outra pergunta: porque é que o filho de um sueco e um norueguês, ou de um nigeriano e um congolês não é considerado mestiço? Só seremos mestiços se formos filhos de um negro e um branco, ou de um negro com um japonês – por exemplo? Então, o que é ser mestiço? No mundo somos todos mestiços.
Na minha opinião, há que reformular essa forma especifica de ver a mestiçagem que não é mais que uma construção social, e hoje, por vezes, com implicações politico-ideológicas. Na nossa terra ela está intimamente ligada à construção da identidade nacional. Parafraseando-te César: “ mi é africano i tchau”. Ou como diria Virgílio Brandão que diz ser-se africano por “ identificar-se com África e com o seu futuro”. Para quem identifica-se com África dedico-lhes a profunda música “afro na bô” de Hernani Almeida (que pode ser ouvida no myspace do Hernani em http://www.myspace.com/hernani1978) e a celebre frase de Mário Fonseca: “Eis-me aqui África nas tuas entranhas onde afinal nunca saí”."
Miguel Barbosa disse para esquecer o debate, que não acrescenta nada. Diria que é preciso debate, não para acrescentar, mas para subtrair certas ideias das nossas cabeças. Se o tema fosse pacífico não necessitaria de debate; mas não é.















