Enquanto africano, é sempre muito constrangedor quando somos confrontados com a enorme ignorância em relação ao país-continente África. Principalmente quando estamos no exterior. Há um misto de ignorância, arrogância e cinismo, ou ainda uma peninha e solidariedade, verdadeiramente irritantes. O caso da Ébola é bem elucidativo dessa ignorância. Quem receia ir à França, porque em Portugal tem uma epidemia? Pois, viagens foram canceladas para todos os países africanos, Cabo Verde incluído, num total de 54, porque em 5, dos quais 3, tinham um problema sério de saúde pública. Num universo de 1 bilhão de pessoas, morreram 2 mil e foi anunciado o fim de África. Rapidamente se invadiu o Mali com tropas estrangeiras, ou retirou-se Kadhafi do poder, mas em relação ao Ébola assistimos uma pouca-vergonha inqualificável da comunidade internacional. Morreram 500 pessoas na louca travessia marítima e o mundo nem tremeu. O país-continente África continua a sofrer de narrativas muito mal construídas, ou no mínimo terrivelmente parciais. Um Al-Jazeera africano, faz-se necessário. Produtoras e distribuidoras de filmes, com alcance mundial também fazem-se necessárias. Concretizar redes de arte e cultura, tais como Afribuku, FICINE, ArchiAfrica, FESPACO ou Dakart é um imperativo. Criar uma voz, através da comunicação, da arte e da cultura é essencial, para tirar poderes corruptos africanos da sua zona de conforto e para sacudir as ideias feitas no resto do mundo sobre o país-continente África. Há milhões de activistas fazendo por isso. Quem viver verá.
22.9.14
21.8.14
Transubstanciação
Pensando no significado da mecanização artística de Andy Warhol e nas obsessões de Yayoi Kusama. A loucura é uma condição da arte? Ou a clarividência enlouquece? Ou o mundo é demasiado comum para comportar a genialidade? Artistas geniais tem algo de Jesus Cristo: vivem e morrem para nos salvar.
3.8.14
Quando crescer quero contar estórias
Esses sãos os meus filmes! Esses que provam que contar estórias não tem e, felizmente, nunca terão nada a ver com a tecnologia. Rigorosamente nada a ver. A diversidade de equipamento na atualidade, em capacidade e preços é impressionante. As facilidades computacionais são ainda mais impressionantes. A capacidade de mini-câmaras fazerem um filme, com alta qualidade de imagem, dá que pensar. Mas ainda, nada, nem 3D, nem super efeitos especiais, nem qualquer outro artefacto mudou o poder da...estória!
E assim é esse Short Term 12. Um filme, de tão real o enredo e os personagens, que parece um documentário. Realização de mão segura, sem perder tempo com sequências desnecessárias. Fotografia inteligente. E, cerejinha, direcção de actores maravilhosa. Uma coisa linda, este filme.
26.6.14
Eu não sonhei com esta cidadela
Fico autenticamente horrorizado, de cada vez que vou à Cidadela, o bairro que nasceu no estirador de um arquitecto e vendido em anúncios de TV que faziam sonhar. Como é possível tamanha selvajaria na ocupação do território? Caminhos malucos, crateras na estrada, não há vislumbre de uma única árvore, cada centímetro é ocupado com casas que parecem bunkers, não vejo espaço para estacionamento de carros, nada que se pareça com um jardim, as crianças não terão parques de diversão, os jovens não terão terrenos de jogo, nem pensar num teatro, cinema, auditório ou coisa que se pareça, nem sequer haverá um largo, vazio, sem nada. Tudo será brutalmente ocupado de cimento. Até mesmo a orla do mar, abusivamente construída. Naquela que podia ser das mais invejáveis zonas da cidade, com vista privilegiada para o oceano. Tudo vandalizado. Ainda falamos com boca cheia de desdém do bairro do Inferno! Classe média ou medíocre?
24.6.14
Eu não sonhei com esta cidade
Artista: Andrei Koschmieder
Heis as sementes. Tratamos os chineses à imagem dos produtos que vendem, referimo-nos aos guineenses como o mais inútil dos negros, nigeriano é sinónimo de bandido e todos os outros imigrantes africanos, que não conseguimos identificar a origem, metemos num enorme saco chamado "mandjako". Olhamos com desconfiança os arabófonos e até já afiamos as nossas facas contra o Islão, crescente no nosso solo. Hoje, temos imigrantes do todo o lado, inclusive europeus, dos quais os portugueses são um caso particular. Por um passe de mágica, boa parte do tecido empresarial, das telecomunicações, a banca, a construção civil e uma série de outras actividades, tornaram-se de investimento português. Privilegiar essa fonte de investimento tem uma explicação oficial: aproximação histórica. Só que "aproximação histórica", para além da poesia, guarda uma carga de conflitos. Acordamos os fantasmas de morgado e rendeiro, recuperamos a palavra "patrão", que tem um som colonial e "crioulos", na conversa miúda dos patrões, significa "essa gente difícil de trabalhar". Um "patrão" já teve o desplante de me fazer essa queixa, presumindo que eu era "um crioulo do lado deles". A simples noção de "lado de cá ou lá" é sectária. Mas claro, pagam os justos pelos pecadores. Para o bem da verdade, sinto-me privilegiado por morar numa cidade tão cosmopolita, como vem se tornando a Cidade da Praia, mas preocupa-me imenso as sementes da intolerância, regadas de parte a parte. A formação de guetos na cidade, sendo possível fazer uma geografia exacta de onde cada grupo de imigrantes habita, não será um fenómeno alheio. Um autor refere-se assim aos guetos: "uma forma especial de violência coletiva concretizada no espaço urbano" [ver]...Bem, eu não sonhei com esta cidade.
23.6.14
Um pouco de óleo nessa desengrenagem
Foto ripada de um post de Rosana Almeida no Facebook
Dois caboverdeanos dão a vitória a Portugal num jogo da Copa. Não! Dois portugueses negros dão a vitória a Portugal num jogo da Copa. Reparem na expressão "selecção nacional". Ou seja, esses negros são nacionais de Portugal. O que interessa a origem? Alguém anda a questionar a origem moura dos tantos portugueses? Mas, aqui vem a parte sensível. Há portugueses negros? Porque razão os meninos, netos e bisnetos de emigrantes caboverdeanos, nascidos, criados e não vendo outra terra senão Portugal, são ainda chamados de caboverdeanos? Ou mesmo os que emigraram e que escolheram Portugal como nação. Ou só se tornam portugueses, os negros com extraordinárias habilidades, como Nani e Varela? Onde estão os negros na vida pública de Portugal? Onde estão jornalistas negros, artistas negros, deputados negros, ministros negros? Fico pelo ministro, para não ter a ousadia de querer ver um negro na chefia de algum órgão de soberania portuguesa. Onde estão as imagens negras na televisão pública portuguesa, cineastas negros, fotógrafos negros, escritores negros? É Portugal ainda uma sociedade racista, do género "Angola é nossa"? E o que dizer da crescente comunidade portuguesa em Cabo Verde, normalmente detentores de maior poder económico que os caboverdeanos, que se referem a nós com o termo genérico "os crioulos"? E que dizer desse sistema político-económico que promoveu outra vez, pouco tempo depois da descolonização, portugueses como patrões?
11.6.14
Cultura Tóxica
Artista: Mandla Reuter
O alcoolismo é um desses graves problemas, que vemos tratando com leviandade. Não vejo outro termo. Ontem, ouvia na rádio um chefe da polícia a anunciar pomposamente a detenção de um indivíduo na posse de 700gr de erva, com direito a prisão, julgamento, conferência de imprensa e tudo. Já viram alguém ser preso por vender grogue? E entre os dois produtos, qual terá mais toxicidade?
Gente, grogue não é cultura. É um álcool, que é tóxico para o organismo. Pode ser doce e cheirar bem, mas é um tóxico. Pode ser até limpinha da fonte, mas continua a ser um tóxico. Contêm etanol e, em doses mais ou menos elevadas, metanol, que é um composto extremamente perigoso. Existe uma escala de qualidade das bebidas alcoólicas, de acordo com a "honestidade" do seu fabrico, mas continuamos sempre e sempre com o problema de fundo: álcool é um tóxico. Visitem os hospitais e mais precisamente a psiquiatria e verão a amplitude do problema. Para além dos graves distúrbios mentais, ataca gravemente o coração, o fígado e o pâncreas, mais todo o resto. Visitem as estatísticas, vejam os graves danos sociais que isso está causando, vejam o impacto na economia. Como assim alcoolismo não é uma prioridade de saúde pública? A amplitude do problema é esmagadormente superior às estruturas criadas para o seu combate, a priori e a posteriori. Se não acabarmos com essa mania que álcool é fixe, estaremos perdidos. Vamos desclassificar o grogue como património cultural?..É, eu sei, é um ideia que dói, mas toda a transformação dói, principalmente aquelas que nos retira conforto. Entre o consumo social, o bom grogue e demais mitos, tudo contribui para uma verdadeira catástrofe dentro da nossa sociedade.
4.6.14
Corned Beef
Artista: Zoe Leonard
Sigo com interesse os casos de justiça no meu país. Nunca se tinha visto tanto, cidadãos que vão ao tribunal contra o Estado, ou empregados que processam os empregadores, instituições estatais que processam uns aos outros, denúncias de negligência médica, ou até a condenação de altos gestores. A democracia trouxe esse benefício, de obrigar a que a vida em sociedade seja mediada pelas leis. Se a justiça funciona bem ou mal, é uma questão importante, mas o facto é que modificou o nosso relacionamento com as outras pessoas e as instituições. Carlos Lopes, economista da ONU, falava dos custos da democracia em Cabo Verde, referindo-se ao facto de, sendo a democracia uma aparelhagem legal, os recursos e as instituições necessários ao seu bom funcionamento têm um custo enorme. Mas pergunto, qual será o custo da não-democracia? Ou, qual é o custo da autocracia? Ou ainda, haverá formas de democracia mais ligeiras, que essa assente numa pesada infraestrutura legal? Falou-se da importação de uma tradição jurídica europeia, mas que outros modelos podíamos seguir?
2.6.14
Feijoada enlatada
Artista: Mohau Modisakeng
Mindelense ganhou o campeonato nacional, mas os festejos, em comparação aos do Benfica cá, parecia um desses apitos baratos, que quase não consegue apitar. Não houve nem cortejos quilométricos, nem auto-tanques lançando água numa multidão em delírio e nem acaloradas declarações de importantes figuras. Mas percebo. Ser do Benfica é uma religião, é um pertencer. É o clube, o grande. É ver craques, verdadeiras estrelas que desfilam em carros de luxo, tem namoradas louras e vão a galas. Ser do Benfica é um pretexto para ir a Lisboa, visitar o Estádio da Luz, a catedral do futebol. É benéfico para a leitura, de todos os jornais, dos casos desportivos e extra-desportivos. Dá tema para semanas de conversas, debates televisivos, enche os bares, as barbearias, mantêm muita gente com algo na cabeça para se preocupar. É o glorioso. Nada que se compare a Mindelense, um minúsculo clube sediado numa infame rua de botes, num poeirento pequeno país, sem glória, sem catedral e sem luz. Ser do Benfica, clube português, é bem mais fácil. No fundo, para quê fazer a sua própria feijoada quando já há feijoada enlatada, pronta a consumir, com carne e tudo?
29.5.14
A Província
Artista: Jiri Kovanda
No lançamento de um livro (As Revoltas) que fala abundantemente e até repetidamente, de como o estado colonial, constituído por reis, raínhas, príncipes, governadores e demais hierarquias por aí abaixo, junto com a igreja e o seu longo historial de suporte ao poder, oprimia o povo, de forma física, concreta, abusiva, mas também de forma moral, ao propagar uma simbologia de superioridade branca-cristã, em detrimento dos negros e as suas "negradas", é curioso observar como o evento em si se faça num ambiente de pompa palaciana. Com direito a um atraso palaciano também, no que já se repete entre nós, enquanto não chega a comitiva real, nada começa. O tempo e a paciência dos súbditos que se lixe. A divisão do espaço e dos assentos, entre os muito ilustres, os mais ou menos ilustres e, na parte mais recuada, a comunidade dos alunos, também recria esse ambiente de reis, raínhas, demais titulares da corte e finalmente o povo, lá ao fundo. Tudo era muito protocolar. A miúda que nos recebia à porta tratou de me encaminhar para o meu devido lugar, unicamente com base na minha aparência, creio. Num misto de enorme atraso, desorganização e um excesso de aclamações, acabei por sair, por imperativo de outros compromissos, sem cumprir o meu singelo objectivo: ouvir os apresentadores e o próprio autor. Repete-se, recria-se uma visão da sociedade e das coisas, em que importa mais o aparato que a substância. Ao invés de se concentrar no significado profundo que é a publicação de tal obra, tudo se torna fogo-de-vista. Assim segue a província.
27.5.14
Elos fracos
Foto emprestada de Afreaka
Lei que criminaliza o roubo de energia, claro, sou a favor. Sou a favor de leis que criminalizem quaisquer criminosos. A chatice aqui é que, no caso, são milhares de criminosos, também conhecidos como população.
É uma prática judicial antiga, colonial. Até prova em contrário, a população é culpada! Culpada de ter tradições avessas à boa moral da sociedade, culpada de causarem distúrbios, de ocuparem indevidamente o território, de serem pobres, estúpidos e analfabetos. Culpada de edificarem zonas degradadas na cidade e de causarem uma péssima imagem ao turismo. A população, desleixada, prefere a via da criminalidade a ter que morar em bairros decentes, em casas decentes, em condições decentes de luz, água e sanitários. Prefere vir estragar a cidade a ter que ficar no campo, em condições até mais ecológicas. E para piorar ainda mais as coisas, população aos milhares de outras zonas pobres da África, vem ocupar indevidamente este território, para além de causarem distúrbios e aportarem mais tradições avessas à boa moral da sociedade. Estamos perante uma pressão exagerada da população, à qual o Estado não tem condições para dar conta, muito embora seja uma obrigação constitucional, ter a população como primeira prioridade.
Mas, justiça seja feita, o país tem modernas estradas, aeroportos e portos. Temos meio milhão de turistas a visitarem todos os anos o nosso belo país. Somos top ten em África, caraças! O país está a criar as condições para atrair investimento externo e almejar um desenvolvimento poderoso no futuro. Daqui até o futuro, pede-se à população que aguarde em barraquinhas, sem água, luz ou esgotos, em encostas sem acesso ou infraestruturas sociais. Eu até mandaria retirar a iluminação pública, sendo bairros ilegais, espontâneos, periféricos, não-planeadas, ou o raio de nome que se lhes queira dar. A população que aguarde, ou terá que se bater na justiça.
20.5.14
Reafricanização dos Espíritos
Artista: Aboudia Abdoulaye Diarrassouba
Foi preciso vir um senhor das Nações Unidas, um mandjako, como o próprio teve o cuidado de se etno-identificar, numa suave alusão ao nosso racismo velado, para nos dizer que o nosso afastamento de África é desastroso. Quantas vezes, mas digam-me, quantas vezes já encetamos aqui e ali este debate sobre a África e quanta ignorância e desprezo já vimos a desfilar sobre o mesmo tema?
O Senhor Mandjako, Carlos Lopes de seu nome, Secretário Executivo da Comissão Económica para a África, das Nações Unidas, fez uma estruturada análise, e apontou o dedo para os riscos de: a nossa pesada democracia, assente numa tradição jurídica europeia; o não seguimento da evolução demográfica, em que brevemente teremos uma população enorme de velhos que pesarão o sistema de protecção social; e, a parte quente do discurso, a excessiva ancoragem à Europa. Mostrou por a+b como a nossa teimosa rejeição dos espaço africano pode nos conduzir a uma triste orfandade. É que a nova realidade geo-estratégica global indica-nos que a Europa está em falência e a África está em poderosa ascensão, economicamente falando. Essa realidade já atraiu investimentos de todo o mundo, da China aos EUA, todos se reposicionando. Bem, Cabo Verde em teoria estaria bem posicionado, se o espaço africano fosse naturalmente nosso. Mas não é. O que mais fazemos é rejeitá-lo.
OK, identificado e provado que está a nossa afro-rejeição, tempo de "mudança de mentalidades", que foi aliás o mote da comunicação de Carlos Lopes. É aqui que entra a parte difícil. Virar-se para o espaço africano não vai ser necessário somente passar a pagar as quotas da CEDEAO, ou passar a frequentar as reuniões cimeiras. Essa mudança vai nos obrigar antes de mais à aceitar a nossa posição enfraquecida, complexada e distorcida sobre o mesmo tema. Teremos de aceitar, antes de tudo, que somos brutalmente desconhecedores do continente, das suas enormes capitais, os seus movimentos, as suas dinâmicas e os seus líderes atuais. O "virar-se para a África" não poderá ser só uma questão de pragmatismo, como disse Carlos Lopes. Terá de ser de coração, a fundo, participando, estando, sofrendo junto, fazendo parte na carne e no sangue. Caso contrário estaremos a pensar num edifício com alicerces de barro.
17.4.14
Strawberries
Lembrei-me agora da minha professora de inglês do liceu, Ana Salomão, dos raros professores que não nos davam chance de perpetuar a nossa fama da turma mais terrível dos anos 80. Porra fiz o liceu na década de 80! Ela tinha um misto de general e a mais simpática das professores. Isso acaba com qualquer aluno-peste. E ela ensinava mesmo! Passamos toda uma aula tentando pronunciar a palavra "strawberry". Enquanto não apanhássemos o accent lá ela arranjava as estratégias fonomorfológicas para o conseguirmos. Lembro-me de passar essa aula toda também a ver para a deslumbrante imagem do morango e de como achava que era um fruto muito sofisticado para um dia se vender em Cabo Verde. Hoje dou comigo a comer cereais com morangos frescos, tomar batido de morango, mousse de morango, gelado de morango, ou comer morangos enquanto vejo a têvê. Ainda exijo à minha vendedora regular só os morangos com pelo menos 5cm de comprimento. Evidente, o desenvolvimento tem os seus azelhas de serviço, mas a verdade é que esses 40 anos de desenvolvimento tem feito coisas impressionantes.
17.3.14
Void
Em resumo, o turista veio e deu de caras com a publicidade enganosa que andamos a fazer veementemente. Queríamos o quê? Ora, também eu fui a um restaurante e quase arranquei os olhos para pagar a conta, num serviço normal, quase de tasca. E o gajo do táxi cobra 30Eur Mindelo-Baia, o mesmo preço Lisboa-Madrid! Estamos a brincar. E a cena se repete no Tarrafal de Santiago, no Fogo, no Maio, em S.Nicolau, na Boavista, ou onde quer que se vá. Talvez Santa Maria escape um pouquinho e mesmo assim...
Temos de decidir senhoras e senhores. Temos de vender ou gato, ou lebre, nunca um pelo outro, ou os dois ao mesmo tempo. Se é turismo de caminhada, ótimo, o turista aceita a natureza tal com ela é. Mas, se queremos turismo de cruzeiro, caracterizado por "quero tudo em 12h", por favor não procuremos justificativas bizarras; vamos ter que oferecer tudo em 12h. Não me interessa se o raio do turista foi rude nas suas apreciações. Ele aqui foi chamado, pagou pra vir. Se não tivéssemos o hábito de engolir o arroz seco que pagamos para comer, entenderíamos o ponto do homem.
Temos de decidir senhoras e senhores. Temos de vender ou gato, ou lebre, nunca um pelo outro, ou os dois ao mesmo tempo. Se é turismo de caminhada, ótimo, o turista aceita a natureza tal com ela é. Mas, se queremos turismo de cruzeiro, caracterizado por "quero tudo em 12h", por favor não procuremos justificativas bizarras; vamos ter que oferecer tudo em 12h. Não me interessa se o raio do turista foi rude nas suas apreciações. Ele aqui foi chamado, pagou pra vir. Se não tivéssemos o hábito de engolir o arroz seco que pagamos para comer, entenderíamos o ponto do homem.
12.3.14
Pipocas
Artista: Ry Rocklen
Jornalista pergunta para miúdo, fechando de propósito a pergunta em Cabo Verde, para não dar ao miúdo hipótese de fuga: "Quem é o futebolista cabo-verdiano que mais admiras?". Miúdo, encurralado pelo fechamento, pensou um pouco, titubeou, mas finalmente disse: "Heldon!". Jornalista insiste: "Quando cresceres queres ser como quem?". Miúdo nem hesitou: "Ronaldo!"...Heróis constroem-se.
Rússia invade a Ucrânia nas barbas da Europa. Europa, que lembra um galo velho hoje em dia, ameaça tomar medidas enérgicas, congelar contas, bloquear relações com a Rússia, etc. Ao mesmo tempo, Portugal anuncia que vai intensificar as relações com agências russas do turismo, um dos seus principais mercados emissores. Eheheheheheheh.
Cabo Verde é o quinto país do mundo com mais ministras. É também o país onde ainda elas apanham no focinho com muita força, chegando a matar. E Eurídice Monteiro, a voz chata da razão, pergunta: será que em Cabo Verde, o empoderamento das mulheres-elite significa a melhoria da condição das mulheres na base?
"Homem que é homem não bate em mulher". É a campanha do momento. A pergunta que se impõe é: como é que o homem cabo-verdiano vai parar de bater em mulher, em homem, em criança, em velho, quando uma simples reclamação no táxi já é potencialmente agressora?














