28.12.10

Um apêndice de pausa no dia

Não tenho tempo. Até ao aeroporto foram poucos minutos, a toda a força. Arranjei-me em 15 minutos, mais uma milésima vez, não tive tempo para o pequeno-almoço. Não ter tempo para o pequeno-almoço é a pior face da tirania do tempo. Estava 10 minutos atrasado. Comecei o dia a 120Km/h, marcados no quadrante do carro. Fui levar metade de um ano da minha vida em vídeo. Chegado, recebi em troca eternidades em livros, filmes e discos!

Bernardo Sasseti parou o meu dia. Não existe carro que consiga acelerar com Bernardo Sasseti a rezar ao piano. Parei tudo, as preocupações matinais, tudo. Chegado, ainda resisti a sair do carro, pregado ao banco. Bernardo Sassaeti, como Mário Laginha, Keith Jarret ou Brad Melhdau, são sacerdotes do Jazz.

E no lugar do acelerador e do motor, pensei em mar e em alma.

24.12.10

Prima

Hoje alguém com a alma do tamanho do mar inspirou-me a tornar isto aqui (Bianda) num lugar...diferente. Não resisto a comentar a política, essa coisa que mexe tanto com as nossas vida. Mas a política também torna isto aqui um lugar pesado, carregado de problemas e não há reclamação que chegue para mudar as coisas. Logo, mudança de direcção.

Será a nova cara do Bianda para o novo ano e talvez isto esteja a ser a minha própria mudança de cara. E se só falarmos das coisas boas? Das coisas que transformam efectivamente. E se falarmos das pessoas generosas? Dessas que sofrem, inquietam-se, mexem-se, fazem, desfazem, nunca estão contentes, mas o rastro que deixam é uma plantação. Quem sabe seja uma melhor corrente que o reclamar e denunciar as coisisses deste mundo.

Isto é pra ti, alma-mar.

13.12.10

Primos II

O Presidente da República (de Portugal) considerou hoje que os portugueses têm de se sentir “envergonhados” por existirem em Portugal pessoas com fome, um “flagelo” que se tem propagado pelos mais desfavorecidos de forma “envergonhada e silenciosa”.
Fonte: Público online

..O "silencioso" é que me faz impressão, ainda por cima quando o país é pobre, armado em rico, como nós somos, passando imagens pra fora, que não colam com a realidade cá dentro.

Cavaco marcou um ponto na minha consideração. Algum Presidente (de Cabo Verde) candidato a marcar um ponto na minha consideração?

Primos II

O Presidente da República (de Portugal) considerou hoje que os portugueses têm de se sentir “envergonhados” por existirem em Portugal pessoas com fome, um “flagelo” que se tem propagado pelos mais desfavorecidos de forma “envergonhada e silenciosa”.
Fonte: Público online

..O "silencioso" é que me faz impressão, ainda por cima quando o país é pobre, armado em rico, como nós somos, passando imagens pra fora, que não colam com a realidade cá dentro.

Cavaco marcou um ponto na minha consideração.

9.12.10

Primos

A justaposição da política e dos negócios é uma fatalidade? Os negócios e a corrupção são indissociáveis? A falta de postura ética é condição sine qua non dos políticos da actualidade? Ou seja, devemos tomar a consciência que vivemos num mundo selvagem, do salve o mais esperto dos chicos, é fatal, ou vale a pena propalar as boas práticas, os bons costumes, a conduta moral e lutar por ideais?

As notícias dos nossos primos portugueses (é só desgraça ultimamente):


"Contas dos partidos portugueses criticadas na Europa...diz que se atrasam a entregar as contas e escondem os valores do financiamento eleitoral". 
Ui! Como isso é tão parecido connosco, com a grande diferença que ninguém nos critica. Tá tudo na boa. 

"Dos seis megaprocessos de corrupção em curso, só um se encontra em fase de julgamento. Nunca terá havido tantos megaprocessos de corrupção em curso ao mesmo tempo..."
No dia em que abrirmos a nossa caixa de Pandora!....Quer dizer, se algum dia o abrirmos.

"Só houve 50 condenados a prisão efectiva por corrupção numa década. Mais de 80 por cento dos portugueses acreditam que a corrupção piorou..."
Aqui, a terra dos primos, prisão por corrupção é missão impossível.

"Ser denunciante, ainda por cima assumido, é "uma experiência dolorosa""
Puro e simplesmente não vamos ter denunciantes nunca. Denunciar aqui, na terra de primos, é correr o risco de mandar algum primo para a cadeia. Quando não é a mamã, o papá, o filhote ou outro familiar perto que corre o risco de ir parar à cadeia. Mas, espera....qual cadeia? Quem vai à cadeia nesta terra por coisas do género? Nem há espaço nas cadeias!

Enfim, vivo num mundo que desconheço. Ou, enganaram-me com estórias da carrochinha.

(Fonte notícias portuguesas: Público online)

1.12.10

Multimedia, Multidimensional


Ver detalhes aqui

Tivemos a honra de ter esta senhora numa exposição nossa. Recordar aqui e aqui. Que saudades...do futuro!

Luz

Acordo com isto!

Entranhas

Boa Entrada, S.Catarina, a minha mais recente obsessão.

30.11.10

O Trampolim


Heis uma coisa que admiro: o lançamento de um livro. Normalmente fazer um livro é uma grande empreitada. Abraão Vicente ousou, empreendeu e heis que nasce o seu primeiro livro. Na sua nota de lançamento, defende-se, dizendo que não são contos, muito menos um romance, mas cá por mim é só um livro e pelas páginas iniciais que já li (confesso Abraão, não o li todo, eu sei, preguiça e otras cositas mas) e pela grande qualidade dos seus escritos nos jornais, tenho a certeza que valerá a pena apreciar esta obra. E mais, o caminho só se faz, fazendo. Continua fazendo, amigo.


O lançamento terá lugar na livraria Nhô Eugénio, no dia 2 de Dezembro pelas 18h30.

A apresentação terá a participação especial do músico e compositor Princezito que fará uma leitura dramatizado de um texto. O lançamento terá um ambiente totalmente informal e contará também com leituras encenadas de alguns diálogos do livro pelos actores Dulce Sequeira, José Pedro Bettencourt, Paulo Silva e Raquel Monteiro.

(ou seja, ainda temos bónus!) 

26.11.10

The sprint

"Governo e Câmaras proibidas de inaugurar obras a partir de 8 de Dezembro"

Assim vem em letras garrafais no A'Semana de hoje. Acho o máximo! Ainda, é proibido lançar resultado de inquéritos e sondagens, sem que esses sejam avaliados pelo CNE. Também acho o máximo. Acharia mais máximo ainda se auditassem, julgassem e executassem as contas dos partidos, que andam a dar verdadeiros shows de "engenharia financeira". Acharia o melhor dos máximos se o meu dinheiro (dinheiro de contribuente) fosse poupado nas campanhas, ou seja, que a malta que tá no Governo e na Adm.Pública, que quando tivesse que se deslocar em campanha, fosse de carro próprio ou a pé!

A avaliar pela ferocidade das rondas iniciais dos embates pré-eleitorais, a coisa vai ser forte e feia. Andam os dois barões, o verde e o amarelo, na tangente. Não se apercebe bem qual será o sentido dessas eleições. Se é verdade que o Governo vem se safando de rombos maiores e a Oposição não conseguido transmitir uma imagem de coesão, também é verdade que as autárquicas deram o toque da mudança e sinais de irritação podem ser fatais, como os intermináveis cortes de energia (ainda anteontem estivemos um dia todinho sem luz) e o desemprego, que, digam o que disserem as estatísticas, é um realidade sensível e preocupante.

Segundo o FMI a crise (Portugal nomeadamente) está intimamente ligada às desigualdades sociais, que permite um sistema que, enriquece um minoria e põe a maioria a pedir dinheiro emprestado à minoria (através do crédito bancário), endividando progressivamente, até levar o sistema à ruptura que se verificou, ficando minoria e maioria todos na lona. Em CV estamos a assistir esse fenómeno e só não sabemos quando vai estourar. Nem Situação nem Oposição tem discursos diferentes, pelo que o futuro, qualquer que for o caso, será tempo para se estar alerta.

O pior de tudo é que, por mais um par de anos, é preciso ouvir, ou o discurso autista de Zé Maria, ou o discurso mofo de Carlos Veiga. Juventude, nada!

22.11.10

Quando for velho...

...quero ser Presidente.

À boa maneira das perguntas cafeanas margosas, apetece-me perguntar: a grande concorrência às presidenciais significa que o patriotismo está em alta ou que há muita gente a tentar um reforma política em alto estilo? 

Dos candidatos: um só se ouve a voz ocasionalmente, se bem que ultimamente, com a pretensão presidencial, ande a opinar, viajar e mostrar-se; outro nem se ouve a voz, mas para mim é o que melhor conduta moral e cívica vem demonstrando; outro só se ouve a voz a inaugurar estradas e raramente se prenuncia sobre outros aspectos da vida social, politica, economica e cultural do país; outro foi eleito e tirado rapidamente do posto logo nas eleições a seguir, por não ter ligado a mínima o lugar a que foi eleito; outro abandonou o partido, havendo mesmo concorrido contra ele, viu que sozinho é uma folha seca e forçou a reentrada no partido; finalmente, um deles anda a braços com a justiça.

Regra geral, tenho poucos motivos de orgulho nos candidatos à presidência da minha república.

20.11.10

E-Saudades

Tenho saudades de cá estar. O mundo é feito de muitos caminhos e há alguns que demoram a terminar. Já volto


E-Abraços

16.11.10

Mindelo.Again


Espectáculo de baía!!

12.11.10

Mindelo

Cá vou eu mais uma vez este ano à minha ilha natal. Alguma coisa me tem puxado praí, não sei o que é mas estou a gostar.

Se posso dar uma mãozinha nessa consciência que é despertar a ilha do seu sono paralisante, penso que é por aí, indo mais vezes, levando coisas, falando sempre e tentar ver as coisas desapaixonadamente. Na verdade não é aceitável que uma ilha que tem a melhor cidade de CV, ou seja, melhores coberturas eléctricas, de água e esgotos, talvez a melhor rede viária intra urbana do país, uma ilha que tenha a história industrial e urbana, como tem SV, esteja simplesmente a dormir. SV reclamou por tudo e tudo teve: tem os estaleiros navais, o parque industrial, ainda o melhor porto de CV, um aeroporto internacional, unidades fabris, unidades de pesca industrial, boas unidades hoteleiras, enfim, em termos físicos a ilha é a que menos tinha que reclamar. Mas uma coisa ando a dizer há muito tempo e há quem me caia em cima: há um baixar de braços colossal. Não há que esperar por ninguém e desse ponto de vista os meus votos ao movimento que nasceu na net e se chamá "Cordá Monte Cara".

E já agora apareçam na minha exposição, na Zero Point Galery, às 21h. Pelo menos servimos um copo de vinho (espero bem que sim!)

10.11.10

Utópicos


É uma sensação indescritível abrir uma exposição! Alguma nasce dentro de nós. Ainda por cima quando se trata de a abrir no lugar que nos viu nascer, assume uma dimensão ainda mais indescritível; um misto de ansiedade e triunfo.

Estaremos no Mindelo, na bela galeria Zero Point Art, sexta-feira, dia 12, abertura às 21h. Passem a palavra por favor. E aguardo a vossa visita.


Mais sobre o projecto UTOPIA aqui