...e a incapacidade em admiti-lo.
José Maria Neves vai entrar para a história política de CV como o governante que liderou uma das mais brilhantes campanhas diplomáticas de CV. Aliás, se há sector de governação que merece destaque em todos os governos de CV, sector discreto por natureza e logo olvidado, é a Diplomacia. Terá essa vocação diplomática o seu embrião nas acções de Amílcar Cabral, Abílio Duarte e Dulce Almada, no mobilizar da luta da libertação? Algum politólogo que me ajude, p.f.
Voltando a JMN. Foi durante a sua governação que vimos o nosso país a beneficiar-se (?) da graduação de PDM, que veio o compacto do MCA, que assinamos uma parceria especial com a UE, que um alto governante dos USA visitou CV, que as relações com Portugal intensificaram (até com efeitos colaterais discutíveis), que reatamos (vergonhosamente sem vontade) as relações com o espaço da CEDEAO, etc. Mas JMN também vai entrar na história por falhar dossiers gigantescos: o social, o ambiental e o cultural. Começando pelo último, zero! Passando para o ambiental, diria que é maior que o próprio governo, é uma consciência nacional que precisa ser tomada, mas medidas governativas já ajudariam; e o social, só ver para o nível de desemprego que nem vale a pena falar do resto.
JMN será dos governantes mais marcantes da nossa história, amemos ou odiemos esse facto, mas, quanto a mim, o defeito enervante de JMN é a sua incapacidade em reconhecer que falhou...até porque é da natureza humana falhar. Entendo que esse flanco seja difícil de dar em política, mas eu, enquanto cidadão, não sou obrigado a concordar com isso.