Para os lados de Palmarejo, quem vem de Quebra-Canela, há batalhas aéreas de Marcianos pela madrugada, largam bombas que fazem buracos na estrada. Quem vem com o carro, livra um buraco e, tunfa!, apanha com outro mais ao lado. Uma irritação diária. Marcianos no ocorrido são de três espécies: o Calceteiro Preguiçoso, o Capataz Fanfarrão e o Engenheiro Irresponsável. Mas entretanto há outras teorias, que ocorreram no passado: a Câmara mandava calcetar e vinham Marcianos da Oposição pela madrugada e descalcetavam. Seria possível? Teoria de Conspiração ou não, o facto é que toda a manhã a cidade acordava esburacada. Sou mais pela primeira teoria dos três Marcianos.
10.11.09
Terça, 2/3
Que são buraquinhos na estrada face à falta de electricidade? Da estrada, podem tirar os paralelos todos, mas será pensável tirar a electricidade a uma pessoa um dia todo, todos os dias? Que Estado de Direito, se não posso processar ninguém pela comida que me estraga no frigorífico, com risco a cada vez de arrebentar o próprio frigorífico? As horas de trabalho que não faço em casa, como se existe homem com poder tanto que me diga que não posso trabalhar em casa? Quem processo por perda de conforto, perda de paciência, perda de paz interior? Mas quem se rala com o conforto e as horas de trabalho extra perdidos, quando morre gente de doença mais séria?
Terça, 3/3
Ouvi ontem o Ministro da Saúde em mini entrevista pela rádio. Era de dar dó! O homem tinha a voz sem o trovão habitual, parecia que vinha a nado por um oceano revolto. Fazia o pobre ideia que por águas crioulas, mansas e quentes por natureza, seria possível tamanha tempestade? Anunciou ajuda de muitos especialistas, da França à Indonésia, mas perguntado, uma pergunta deveras sacana numa hora dessas, sobre um novo hospital, deu guinadas na voz, disse que por agora o que importa mesmo é a Dengue, que sobre o novo hospital, depois da crise, havemos de falar disso, talvez. Espera! O Ministro disse “talvez”? Ah pois, disse. E é isso que acontece a Comandantes que não comandam as naves com mão firme: um dia ou outro a tempestade avassala.
9.11.09
Segunda, Não retoma nunca mais
Já viram birra de criança? Este quer um brinquedo, que também quer aquele, apesar de haver brinquedos de sobra, um puxa dum lado, outro puxa do outro, depois um mete a mão no outro, o outro desata aos berros, a mamã ouve a birra e deixa, a ver se num lance de democracia os meninos deslindam a contenda, mas não deslindam, principalmente se de machos se tratarem, porque parece que a qualidade masculina é dada a um certo embrutecimento, vendo que não adianta e só resulta em enguiço, a mamã intervêm e não raro ter que fazer entender a voz alta da autoridade.
Já me irrita o impasse da Revisão Constitucional, as manobras de uns e as intenções de outros. Esses meninos já mereciam uma palmada!
Segunda, Retoma II
Vamos à mobilização. Sim senhor, um primor ver gente chique, menos chique, nada chique, todos trajados de camponeses, de pá, enxada e vassoura na mão, limpando a empena das suas casas e arredores. Não tão bonito foi ver árvores cortadas!...Cortou-me o coração.
Aliás, por falar em árvores, em CV não é nem crime legal, nem delito moral, deitar abaixo as árvores. Uma árvore vai pró chão com a maior das facilidades, sem que ninguém sinta uma ponta de tremor de indignidade. Isto numa terra em que, sendo seca, uma árvore crescendo e mantendo-se viva, simboliza uma vitória. E num ápice vai abaixo! Tremenda estupidez e prova que as operações não estiveram sempre bem coordenadas no terreno.
Ainda há tempos, para as obras de asfaltagem de algumas vias da Praia, obras polémicas, porque bonitas mas não necessariamente inteligentes ou responsáveis, como vieram a provar as chuvas, mas dizia, por altura dessas obras, deitaram-se abaixo dezenas de árvores. Adivinhem para quê? Para permitir a operação das máquinas!...Um acto de bradar ou de enfiar na cadeia quem permitiu.
O que é bom para a literatura é que este povo não pára de fornecer situações parvas, cómicas, estúpidas e caricatas. Escrevam, que terão inspiração todos os dias.
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