17.10.09

Consciência Ambiental

Cabo Verde é um país tropical seco e a cidade da Praia está povoada de aparelhos de ar condicionado que gotejam água pelos passeios.

No próximo dia 24 vamos fazer um ECO-RALI como uma manifestação pública de sensibilização para a problemática ambiental global.

Todos estão convidados a participar!
  • Às 10h00 do dia 24 de Outubro haverá uma concentração na Fundação Amílcar Cabral, Plateau, Cidade da Praia, Cabo Verde.
  • Serão distribuídas plantas cheias de sede à procura de uma gota de água.
  • Os participantes terão que encontrar uma goteira-de-ar-condicionado na cidade para colocar a planta sedenta.

Este evento enquadra-se numa acção global em 155 países. Visitem este sítio: http://www.350.org para conhecer a iniciativa

NU DJUDA PROTEJI NATUREZA! NU POI KABU VERDI NA MAPA DI KONSIENSIA AMBIENTAL!!

Este evento é dirigido a TODOS, de TODAS AS IDADES! APAREÇAM!

* se possíveis venham a pé, de bicicleta, autocarro, skate, patins ou, se tiver MESMO que ser, traga o carro cheio

Agora mãos à obra!!!!

Precisamos da vossa contribuição para que este evento seja um sucesso e para isso contamos com todos para:

  • mobilizar o máximo de pessoas/instituições/empresas para esta causa
  • entregar pelo menos uma planta até o dia 22 de Outubro*
  • sensibilizar a vossa entidade patronal para se juntar a esta causa. mobilizando, divulgando e oferecendo uma ou mais plantinhas.

Sugiram, Opinem, Critiquem, Façam Propostas... AJAM!!!!

É JÁ NO DIA 24 DE OUTUBRO... FALTAM APENAS 9 DIASSSSSSSSS


Fundação Amílcar Cabral
Rua Andrade Corvo, Em frente à Procuradoria Geral da República
aberto entre as 10h e as 21h de segunda a sexta-feira
O filme Inglorious Basterds de Quentin Tarantino está no cinema da Praia!!! Que luxo! Que bom!

Boas Novas!

Mito Elias apresenta NÓ DI SULADA
8 vídeo-postais do reino de Mare Calamus.


22 de Outubro 2009 às 19:00
WMDC (World Music & Dance Centre) - Roterdão - Holanda

16.10.09

Semana Capital

De segunda a sexta acontecem coisas, uma mudança de era quiça. A cidade pulula esses dias. Uns andam a partilhar gostos, saberes e experiências literárias no excelente workshop de escrita criativa, outros discutiram sobre arte, prisões e prisioneiros no ABRIASPAS, acontece uma feira de livros aqui, um bar novo ali, ontem, na quinta-feira, assistimos a um potente filme documentário intitulado "Why We Fight" no clube Voz Di Povo, as pessoas estão inspiradas, combinam-se obras colectivas, criam-se projectos e a vida vai ganhando uma espiritualidade diferente nesta cidade. Estou amando!

Amanhã há dois concertos que parecem interessantes ambos: um de um artista do Madagáscar chamado Mikea, outro de Pedro Jóia, de Portugal. Ambos exactamente à mesma hora. E isto é um dos muitos sinais de uma programação cultural desconcertada. Há muito que vemos dizendo: é preciso uma programação cultural para a cidade, em que todos os agentes contribuem. Este é um papel que a Câmara podia fazer e a cidade ficaria agradecida.

Enquanto isso, longa vida para a cidade da Praia, que me tem muito ocupado esses dias, logo feliz.

15.10.09

Aos ofendidos

Acho sempre piada as pessoas, sempre bem protegidas pelo anonimato, que se ofendem com os assuntos. Ou serão as próprias pessoas visadas nas críticas, ou serão próximas, do partido ou simplesmente fãs que acham que devem proteger o seu ídolo de, vamos dizer, bocas. Vejamos.

Uma pessoa com responsabilidades públicas quer dizer que se ocupa do público, ou seja, de nós. Normalmente tem o salário pago com o nosso dinheiro e as suas acções nos implica directa ou indirectamente. As suas decisões têm consequências felizes ou infelizes para as nossas vidas. Aos Ministros, por exemplo, não se lhes critica que tenham determinadas benesses, porque realmente estão num cargo que deve ser bem remunerado, com dinheiro e outras espécies. Mas os Ministros são os responsáveis políticos de primeira linha. Tudo o que me implica, a mim e ao meu país, tenho o DIREITO e até o DEVER de criticar, como tenho a OBRIGAÇÃO de pagar impostos e cumprir com as leis do país. É assim o jogo, pelo menos nessa coisa que denominamos de DEMOCRACIA.

Continuo a achar piada: se as nossas palavras e não valem nada, então para quê se dar ao trabalho de comentar, ainda por cima com toxicidade? Se incomodam, alguma coisa de valor terão com certeza. Ou será isso tudo um deficit de cultura de debate? Já imaginaram um contra-informação em CV? Certamente desistiríamos da democracia.

14.10.09

Medidas Make-Up

(imagem a partir de notícia in A Semana, 9/10/2009)

Cabo Verde precisa de 80.368 novas casas para garantir “Casa Para Todos”. O Governo vai construir 8.650 até 2013. Neste caso faz sentido uma ligeira mudança no nome do programa para “Casa Para Um Décimo de Todos”. Se acontecer (que fique claro que não auguro isso) que este Governo perca as eleições em 2011, ou seja, a faltar 2 anos para 2013, então o programa será “Casa Para Um X (menos que 10%) de Todos”. Espera! O Governo vai construir casas?

A coisa é assim: o Governo de PT, nosso amigo de peito, vai emprestar ao Governo CV cerca de 200 milhões de EUR, equivalente a 22 bilhões de CVE...Isso é metade do actual orçamento do Estado CV! Muita massa. Depois, com os Bancos e as Construtoras locais, que são todas de capital PT, o Governo arranja as suas famosas adjudicações sem concurso para a construção dessas casinhas. Num lance verdadeiramente de glamour, os Governos de PT e CV agitam um pouco as suas economias, para além de ficar bem na fotografia, mas o resultado real dessa maquilhagem toda é a resolução de 1/10 de um problema gigantesco, enquanto que, estruturalmente, tudo continua igual: graves desequilíbrios no ordenamento do território; especulação imobiliária criminosa; acesso ao crédito proibitivo para a maioria da população; legislação de far-west; concorrência desleal entre as construtoras; falta de estímulo à indústria local de materiais de construção o que leva à importação de tudo, de pregos a vigas;…enfim.

O Governo não construi casas; o Governo regula o sector. Se já repararam, o maior problema à habitação neste país não é a pobreza, porque a maioria das construções clandestinas é feita de ferro e cimento e muitas vezes são prédios! O problema é de um sector selvagem, onde, para o interesse dos negócios, não se mexe, maquilha-se.

13.10.09

Abriaspas #2

Depois da apresentação de clips de vídeos sobre o campo do Tarrafal (passado) e alusivo ao Guantanamo (presente), fica a pergunta: “O lugar do prisioneiro ideológico, e da prisão, na relação com a criação artística?”

Bem, ontem não pude ficar para ouvir o debate até ao fim, mas tenho uma opinião sobre isso. A arte é fúria e catarse. Um homem sem fúria e paixão é um homem apático, sem força motora e sem motivação. Esta noção é extensível a toda a sociedade que deve reagir, na minha opinião, sobre os factos da sua história e da sua vivência diária. Temos de amar e odiar. Um homem convicto e transformador é feito disso. A temática é violenta, suja e traumática mas aconteceu e vive algures escondido dentro de nós. Existe e suja-nos. A sua transformação em arte é ao mesmo tempo cura, libertação e…criação.

Sempre achei bonito fazer arte (por definição o estético, o belo) a partir de lixo, neste caso lixo espiritual. Parece uma parábola: o destruidor suja e causa dor; o criador revitaliza a vida e faz o belo do horrendo. A arte é o reverso da estupidez.

O testa de ferro

(Imagem a partir de notícia in A Semana, 9/10/2009)

Antão Fortes, o Presidente da Comissão Executiva da Electra, é o testa-de-ferro ideal. Batem-lhe todos os dias, seja dos utentes pobres, desgraçados e torturados por uma falta de electricidade atroz, seja das empresas, que segundo este gestor tem mais é que comprar os seus geradores em vez de estarem a distribuir dividendos, seja dos fornecedores que em justa causa querem ver a cor do dinheiro, seja dos credores…o homem apanha de toda a parte. Ainda tem que aguentar os seus próprios técnicos corruptos que fazem ligações clandestinas e vendem material da empresa, eles próprios. Ainda tem que aguentar com o facto de ter o pior atendimento público do país. Numa palavra, provavelmente, a pior grande empresa do país. Mas o homem nada pode fazer, nem para remodelar a organização, nem para colmatar os graves problemas de tesouraria e nem pode sonhar com os avultados investimentos necessários, porque tais montas estão ao nível do investimento público, que tarda e nem promete.

Electra é a materialização do fracasso energético do país. É também o exemplo vivo de falência de empresa pública (como os TACV). Antão Fortes está no meio de uma sucata, sem dinheiro, atacado por todos os lados e sem uma mãozinha do Governo. Impávido e sereno, faz a gestão do stress, blindando na perfeição o Governo, o verdadeiro fracassado nesta estória de Energia. Fico a pensar: o que motiva um gestor que sabe que nunca vai poder melhorar a sua empresa? Ponho a pergunta de outro ângulo: o que motiva um gestor que sabe que a sua vida, enquanto estiver nessa empresa, será só apanhar?...Não é testa-de-ferro; é soldadinho de ferro.

12.10.09

ABRIASPAS HOJE

Video (de curta-duração) inicial seguido de conversa temática: o lugar do prisioneiro ideológico, e da prisão, na relação com a criação artistica.

Apareçam! Fundação Amílcar Cabral, 18h30

9.10.09

Semana Capital

Na segunda-feira abrimos ABRIASPAS na Fundação Amílcar Cabral, um espaço de arte e poesia, como o denominamos. Ao mesmo tempo começou o workshop de Escrita Criativa, com um grupo adorável de pessoas dos 30 aos 60 anos. Ana trata-nos como bebés, cuidando de cada um individualmente, percebendo como cada um sente as coisas, dá-nos força e um tau-tau quando é preciso também. A cada dia a sua paixão enche-nos também de paixão pela literatura e pela vida, afinal.

*

Para além da livraria Nhô Eugénio, o Café Tertúlia na Fundação Amílcar Cabral tornou-se um dos meus sítios favoritos para ir durante o dia e mais precisamente ao almoço. É o único lugar de Cabo Verde onde a comida vegetariana é dominante. Para além do bom gosto e do espírito do lugar. Beijinhos às minhas queridas Samira e Nice. O Clube Voz Di Povo tornou-se outro dos meus sítios favoritos, desta vez para a noite. O espaço é agradável e vão lá pessoas frescas da cabeça. Ontem passaram o documentário “Super Size Me”, que odiei, que não invalida o facto de ter gostado do serão da quinta-feira, de resto um dos dias mais perigosos para se sair à noite porque é inexplicavelmente sedutor, sempre.

*

Decorre a exposição da minha amiga Soizic no CCF. Tá lindo, vão lá ver. Hoje temos noite de Flamenco, para além de tocatina no CCF e mais outros deliciosos pecados por esta capital. É claro que essa dinâmica se decorre sem um dedo de instituições públicas. Imaginem o que não seria esta cidade com a sua participação!

7.10.09

Abriaspas#1 - a performance



Até ao final do mês vamos estando construindo um pequeno discurso à volta do tema da prisão, do prisioneiro, da liberdade, da falta dela e de factos associados aos campos de concentração/detenção.

Próxima acção: Segunda-Feira, 12 Outubro, FAC, 18h30

6.10.09

Abriaspas #1

Imagem: PCP

"O campo do Tarrafal, inaugurado em Outubro de 1936, foi inspirado nos campos de concentração nazis, que Hitler nessa altura começava a montar na Alemanha e depois estendeu, como campos de extermínio, por todos os países ocupados pelo exército nazi."

Inauguramos ontem o ABRIASPAS com um tema forte, com pano para muita manga: O campo do Tarrafal, conhecido como o campo da morte lenta. Cresci ignorando inteiramente essa realidade, como ignorava mais outros tantos aspectos da nossa história e ainda muitas mais gerações vão continuar a ignorar a história, a avaliar pelo andar da carruagem. À medida que vou ouvindo sobre o campo do Tarrafal, vendo filmes, lendo artigos e tomando conhecimento da profundidade do horror que por ali passou, vou ganhando um sentimento que aquele campo precisa ser sacralizado e, como disse um amigo meu a ver o filme do João Paradela, devíamos fazer silêncio ao pisar aquele espaço...esse espaço que um dia o Ministro da Cultura disse na televisão, por altura do altura do "Simpósio Internacional Sobre o Campo de Concentração do Tarrafal", Abril 2009, que "devíamos transformar estas casinhas em residências turísticas" (!!!)

O objecto artístico que sairá do ABRIASPAS deste mês será uma pequena homenagem ao horror que viveram os nossos povos sobre o domínio do nazismo/fascismo/colonialismo. Leiam o artigo indicado, no site do Partido Comunista Português, que é muito elucidativo, embora falte a parte dos africanos...mas isso minha gente já é trabalho nosso...em vez da casinhas turísticas.

NOTA POSITIVA: As pessoas que apareceram e ofereceram as suas visões, histórias e energia

NOTA NEGATIVA: O desinteresse inexplicável de artistas, jornalistas, estudantes, investigadores e intelectuais de uma forma geral. O trabalho que temos estado a insistir é assim tão desprovido de interesse?...Duvido.

4.10.09

Corações precisam-se

imagem: Hugo Miguel Coelho

Acontece esta segunda (5 Out) a primeira acção do ABRIASPAS, com uma instalação audiovisual a ser produzida praticamente no momento. Pedimos a todas as pessoas que tem um instrumento musical, uma câmera fotográfica digital ou uma câmera de video, mesmo que sejam dessas de telemóvel, que apareçam e participem desta "provocação", e ao público em geral que apareça, ouça, pergunte e comente.

Sobre o tema, "O campo do Tarrafal", as discussões podem assumir várias formas, mas todas serão, do meu ponto de vista, um exercício sobre o nosso grande desconhecimento deste campo que existiu, na mesma medida que existiram outros campos de concentração, torturou, humilhou e matou gente de forma bárbara, mas ao mesmo tempo não existe na consciência de muitos, para não dizer a maioria, dos nossos povos que atravessaram pesadas décadas de Fascismo.

Fundação Amilcar Cabral, 5 de Outubro, 18h30

Lições de Hitchcock

"Vertigo" é considerado por muitos a maior obra-prima de Hitchcock e um dos filmes mais marcantes do séc.XX. É de facto um filme impressionante. Tudo é de mestre. Os cenários são sempre os sítios magníficos de Hitchcock, as mansões bizarras, as igrejas, os cemitérios, os museus, a fotografia é expressionantíssimo, a música do indispensável companheiro de estrada do mestre, Bernard Hermann, é metade do filme e talvez a mais potente que escreveu na sua carreira. Mas o que mais e sempre chama a atenção nos filmes de Hitchcock são os argumentos fortíssimos todos centrados em histórias profundamente humanas. Como disse Martin Scorcese a propósito de Hitchcock, ele se mantém o favorito de muitos porque fez filmes sobre nós, as nossas vidas, sofrimentos, angústias e dramas. Além disso fê-los com uma mestria técnica que catapultou a linguagem do cinema para níveis de elevada elaboração.

1.10.09

Depurem-se!

www.centerblock.de
Vá, terminem com esta porcaria! Para defecar experimentem a casa de banho que também serve para vomitar enquanto que descarrego de frustrações é coisa de implantação mais profunda e requer aqui mais consideração. Passa um tipo a ostentar sorriso de felicidade e, paf!, apanha com um estalo porque acontece ser da cor errada ou estar no sítio errado ou estar na hora errada, mas essencialmente porque ostentou felicidade diante de um ser enturvado de frustrações sabe-se lá de que cargas.

Agressões acontecem sempre assim em momentos e lugares que em condições normais não tinham que acontecer. E apanham sempre os que em teoria se pode bater sem o perigo de se apanhar de volta com força que fique o queixo a doer e o orgulho a doer ainda mais. E agridem sempre os que em teoria estão investidos de uma força qualquer ou defendidos por detrás de um escudo qualquer, seja de ferro, de madeira ou de distância, de máscara ou de anonimato. O facto é que o acto da agressão provoca alívio temporário de agressor sem o tirar da sua condição de amargo.