5.12.08

Estamos todos FU...

Se há uma coisa absolutamente clara para mim, na celeuma gerada pelas moções confiança/censura, é que a classe política, ela todinha, está a levar este país, outrora miserável e de brandos costumes, para caminhos perigosos.

O Governo, "protegido" pela lei, adjudica de forma directa cerca de 14 milhões de contos de obras a empresas estrangeiras. Sabem quantificar esse montante no contexto CV? Só uma referência: o Orçamento do Estado é de cerca de 52 milhões de contos. O que diz a tal lei de adjudicação de obras públicas, que protege os políticos, e nos desprotege, a nós cidadãos: que o Governo pode adjudicar qualquer obra directamente, desde que este tenha carácter de urgência ou se revele oportuno. Agora digam-me, o que tem a Circular da Praia de urgente? e oportuno?? E outras tantas obras? E o ESTRONDOSO escândalo da adjudicação do imenso projecto, que é Palmarejo Grande, a uma empresa que nem sequer tem alvará para essa dimensão de obras?

A Oposição anda a querer desmontar o Governo, mas, para além de não conseguir reunir provas materiais concretas, a sua classe tem tantas imbricações com os tais negócios supostamente irregulares, que não podem forçar muito a barra. Hoje fiquei a saber que a Sociedade Lusa de Negócios, a que está a causar um terramoto político por cá, ao qual o Governo está (ou esteve?) ligado, dona da corruptíssima BPN, tem administradores que foram figuras de proa do MPD e do Governo da República de Cabo Verde.

O nosso calcanhar de Aquiles: SOCIEDADE CIVIL. Não me interessa se o Governo faz adjudicações legais; o que me interessa se são moralmente aceites e se são lesivos ou não para o país. Não me interessa se a Oposição grita no Parlamento; interessa-me que mostrem, por vias legais também, as irregularidades dos factos e que sejam capazes de fazer mea culpa. O que está claro é que, enquanto a Sociedade Civil não se mexer, os políticos continuarão a ser donos e senhores desta terra. Ou seja, enquanto os cidadãos não conseguirem se organizar em associações, grupos de cidadania, grupos de pressão, manifestações, petições, ou qualquer outra forma efectiva de exercício da cidadania, continuaremos a colher os malefícios da actuação política: especulação económica, delapidação do património nacional, desigualdade social, erosão moral e geração de conflitos.

Para o nosso maior pesadelo, atribuem-nos boa classificação no mundo, tendo em conta que o nosso termo de comparação (o resto da África) está na lama.

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